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Saúde estadual promove terapia integrativa a servidores no serviço de humanização

Técnica de enfermagem Maria Aparecida de Oliveira, a Cida, vê realizado projeto Cuidando de Quem Cuida, para contribuir com qualidade de vida de colegas na sede da pasta

Cida realiza ventosaterapia no servidor que ela atendeu ainda na inauguração do serviço

Pelos corredores da Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO), o passo apressado de quem lida diariamente com a responsabilidade da saúde pública costuma ditar o ritmo. Mas, em um recanto especial da sede da pasta, o tempo parece ganhar outra cadência. Ali, o branco do jaleco de Maria Aparecida de Oliveira, a Cida, não remete apenas à técnica de enfermagem vigilante, mas sim a um porto seguro de acolhimento.

Com 27 anos de dedicação à saúde pública estadual Cida é uma veterana que transformou um desejo guardado por décadas em realidade palpável. Em março de 2025, ela deixou a área de eventos para dar vida ao projeto de terapia holística Cuidando de Quem Cuida, uma das frentes do Programa Estadual de Humanização.

“Esse projeto é um sonho que eu tenho há muitos anos. Eu via na humanização o meio de realizar isso e, junto com a (gerente) Salette, a ideia foi abraçada”, conta Cida, que hoje cumpre jornada das 8h às 17h30 dedicada exclusivamente ao cuidado dos colegas, com abordagens terapêuticas das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (Pics).

A missão estabelecida para o ambulatório vai além do alívio de sintomas isolados. A base é a medicina milenar chinesa, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde e pela Agência Nacional de Vigilância em Saúde (OMS e Anvisa). “O ser humano não é feito de partes; ele é um todo. A terapia holística analisa tanto a parte psicológica quanto a física, pois muitas vezes uma coisa está ligada à outra”, explica Cida.

Paciente pioneiro

A importância do trabalho de Cida é materializado pelo servidor Peterson de Souza Assis, de 52 anos. Há seis anos nas SES-GO ele foi o primeiro paciente a ocupar a maca do ambulatório, ainda quando o serviço estava sendo organizado. “Eu tinha uma dor muito forte no cóccix. Ela me explicou que não era milagre, era ciência. Em três semanas de ventosaterapia e auriculoterapia, a dor desapareceu”, relata.

O vínculo entre paciente e terapeuta tornou-se vital quando Peterson sofreu um infarto, dois meses após iniciar o tratamento. “A Cida tem feito o acompanhamento para ajudar na circulação e no coração. Ela trata minha ansiedade e minha psoríase, que é autoimune. Ela sabe tudo da minha vida, das minhas preocupações. Hoje, mesmo de férias, fiz questão de vir”, confessa Peterson, que agora faz parte dos cerca de 220 servidores mensais, em média, que recebem acompanhamento contínuo da técnica.

Outra avaliação positiva sobre o acolhimento da servidora Cida é do superintende superintendência de Gestão Integrada, Thalles Ávila. “O trabalho dela é excepcional. A dor que sentia foi reduzida em 80%. Vamos investir nessa profissional e dar condições para que possa realizar mais e mais acolhimentos e cuidar dos nossos colegas”, relatou. “Parabéns pelo trabalho das PICs e da Humanização”.

Para a gerente de Humanização da SES-GO, Maria Salette Batista Paulino, a implantação desse serviço responde a uma necessidade urgente de saúde pública dentro da própria instituição. “A Política Nacional de Humanização (PNH) fala sobre a valorização e o protagonismo dos sujeitos envolvidos na produção de saúde. Precisamos empoderar o servidor”, afirma a gerente.

Os dados apresentados por Salette são um sinal de alerta: o sistema de saúde brasileiro registra um aumento anual de 15% nos agravos e atestados médicos entre profissionais do setor. “Temos aproximadamente 270 mil atestados em âmbito nacional relacionados à saúde mental. O trabalho da SES é estressante; lida-se com contas, dinheiro, transparência e compliance. Nada melhor do que prevenir e cuidar de quem cuida”, destaca a gerente.

Horizonte em expansão

O sucesso do trabalho individual de Cida, medido pelo retorno positivo na Ouvidoria e pela alta demanda, já gera frutos institucionais. Salette revela que o projeto deve crescer: “Já dou um spoiler: em parceria com outros profissionais e a chegada de um fisioterapeuta, iniciaremos a ginástica laboral em toda a unidade central”.

Para ela, cada atendimento é a reafirmação de sua vocação. Entre sementes de mostarda e sessões de reiki, ela segue provando que, no coração da gestão da saúde estadual, o bem-estar do servidor é o combustível que mantém a engrenagem pública funcionando com dignidade e humanidade.

José Carlos Araújo (texto) e Iron Braz (foto)/Comunicação Setorial

Veículo: Goiás Gov

Fonte: https://goias.gov.br/saude/saude-estadual-promove-terapia-integrativa-a-servidores-no-servico-de-humanizacao/

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