Rio de Janeiro[A sanção da nova lei dos data centers](https://c-level.folha.uol.com.br/negocios/2026/09/lula-sanciona-incentivo-fiscal-de-r-5-bilhoes-para-data-centers.shtml) pelo presidente Luiz Inácio [Lula](https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/lula/) da Silva ([PT](https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/pt/)) é vista pelo setor de como um avanço para a instalação de infraestrutura de [inteligência artificial](https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/inteligencia-artificial/) no Brasil, mas os projetos ainda enfrentam grandes gargalos, principalmente no acesso à energia.
“O gargalo não está mais em aplicações, está em energia”, afirmou Marcio Aguiar, diretor da Nvidia na América Latina. A empresa entende que o avanço da IA mudou a natureza da demanda de energia pelo setor.
São projetos cada vez maiores, que atingem o pico de consumo rapidamente. Se a questão tecnológica não é mais um problema, diz, a infraestrutura ainda pode ser. “Energia, conectividade e refrigeração passaram a determinar a escala dos projetos”, disse.

Data center da Microsoft em construção na Geórgia, nos EUA-Brian Snyder – 1º.set.26/Reuters
O Redata [(Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center)](https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2025/12/investimentos-em-data-centers-estao-paralisados-por-incerteza-sobre-tributos-diz-entidade.shtml)sancionado por Lula zera PIS/Pasep, Cofins e IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos equipamentos comprados para a implantação, manutenção ou ampliação desses complexos no país.
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“É uma decisão da direção de fomentar um ecossistema que precisa crescer no país”, disse o vice-presidente de [Tecnologia](https://www1.folha.uol.com.br/folha-topicos/tecnologia/) e Inovação da Axia Energia, Juliano Dantas. “Mas continuamos tendo que avançar em outros aspectos, como aspectos regulatórios da energia, de maneira geral.”
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Flávio Loução, sócio da consultoria Deloitte, afirmou que os data centers consumirão 565 TWh em 2026, alta de 26% sobre 2025. A previsão é que o consumo chegue a 702 TWh em 2027, com os servidores destinados à IA respondendo por mais da metade desse volume.
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Com grande potencial para gerar energia renovável barata, o Brasil é visto como um dos países do continente mais atrativos para investimentos em data centers, disse Loução. Divide esse posto com o Chile, com a vantagem de não conviver com terremotos.
A magnitude da demanda gerada por esses projetos demanda investimentos em ampliação e segurança do sistema de transmissão. A queda de um consumidor desse porte, por exemplo, pode gerar distúrbios com riscos de apagões regionais.
O presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), Thiago Prado, disse que há mais de 56 GW (gigawatts) em pedidos de acesso de data centers —volume equivalente a um quinto da capacidade instalada de geração de energia no país.
Ele considera, porém, que muitos desses pedidos não sairão do papel. A EPE vem conversando com investidores para entender o estágio de cada projeto para propor ampliações na rede de transmissão para viabilizar o segmento.
A dificuldade é antecipar investimentos sem construir uma infraestrutura muito maior do que a demanda efetivamente existente. Linhas de transmissão levam cerca de cinco anos para ser implementadas no Brasil, enquanto um grande data center pode ser construído em cerca de três anos, segundo Prado.
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O setor também vê espaço para descentralizar os novos projetos. Hoje, a maior parte da capacidade está concentrada no Sudeste, enquanto regiões com disponibilidade de energia e terrenos começam a ser consideradas como alternativas.
Segundo Rogério Gachet, CEO da Eletronet, 96% da capacidade de data centers está no Sudeste. A empresa, que é controlada pela Axia, trabalha em outro segmento que é gargalo para o setor, a oferta de fibra óptica.
Ele diz que a melhoria da qualidade na conectividade dos data centers é outro desafio do país. “A preocupação que a gente tem hoje é melhorar a latência e a resiliência”, afirmou.
Veículo: Folha Uol











