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Sauditas bombardeiam o Iêmen; houthis atacam porto no mar Vermelho

Igor Gielow

São Paulo

A guerra no Iêmen, novo cenário ativo do conflito no Oriente Médio, escalou ainda mais nesta quarta-feira (16).

Forças de Riad bombardearamdiversas posiçõesdos houthis do Iêmen ao longo da fronteira entre os dois países. Com isso, chegou a 450 o número de ataques nesta semana, segundo o comando dos rebeldes pró-Irã que tomaram a capital iemenita, Sanaa, em 2014.

De seu lado, os houthis disseram ter bombardeado uma instalação da estatal saudita Aramco no terminal petrolífero de Yanbu.

Veículo camuflado equipado com arma de grande calibre dispara em área árida com vegetação rasteira e arbustos esparsos.

Soldado do governo do Iêmen apoiado pela Arábia Saudita atira contra posição houthi em Al-Jawf – APTV – 15.set.26/AFP

O local é o principal porto de exportação de Riad no mar Vermelho e vinha servindo de alternativa devido à obstrução do trânsito no estreito de Hormuz —cortesia da guerra entre Donald Trump e o Irã, que controla a via.

O porta-voz militar dos houthis, Yahya Saree, disse nesta quarta que suas forças também derrubaram um caça F-15 sauditaque participava dos ataques usando um míssil. Riad não comentou o episódio, sobre o qual não há ainda evidências como destroços ou vídeos.

Saree também anunciou mais um ataque à base Rei Khalid, em Khamis Mushait (sudoeste saudita). O local, que já foi atingido por mísseis nesta fase do conflito, sedia esquadrões justamente do F-15, inclusive a versão E, especializada em ataque tático.

Na véspera, um drone houthi havia sido abatido nas cercanias de Meca, a cidade mais sagrada do muçulmanismo, na Arábia Saudita. Os rebeldes negaram a ação, filmada, e a Liga Árabe a condenou nesta quarta.

O governo do reino desértico não falou sobre ações que não o ataque em Meca, como é praxe, mas elas foram confirmadas por seus aliados iemenitas baseados no porto de Áden (sul).

O governo expulso da capital, apoiado por sauditas, e outros grupos apoiados pelos Emirados Árabes Unidos, viveram uma guerra civil aberta com os houthis. Esse conflito estava congelado desde 2022, mas a guerra de Trump acabou por reabrir as hostilidades em julho.

Os houthis estavam apoiando o Irã no conflito e haviam atacado pontualmente Israel, mas ainda não tinham retomado a campanha de ações no mar Vermelhoque bagunçou o comérciomarítimo mundial de 2023 a 2025, em apoio aos terroristas palestinos do Hamas na guerra contra o Estado judeu.

Mas foi um bloqueio aéreo a Sanaa que levou à escalada, que de resto ocorre quando o Irã precisa de mais cartas para negociar algum tipo de acomodação com os EUA. Desde que a crise recrudesceu, o preço do petróleo disparou, chegando à casa dos US$ 108o barril de contratos futuros —ante US$ 70 antes da guerra iniciada em fevereiro.

Áden vive a apreensão de ser o próximo alvo da ofensiva relâmpago dos rebeldes. Após anos sem se mexer, eles tomaram toda a costaiemenita do mar Vermelho e colocaram o estratégico estreito de Bab el-Mandeb na mira de seus mísseis e drones.

Com isso, pretende impor com mais eficácia o bloqueio aos portos sauditas da região, principalmente Yanbu, ligado aos campos produtores do leste do país por um oleoduto que foi atacado por drones lançados supostamente por grupos pró-Irã do Iraque na semana passada.

A via, que servia para driblar o fechamento de Hormuz, foi interrompida, levando ao temorde que até 4%do petróleo do mundo seja bloqueado. A Aramco não comentou acerca do ataque desta quarta, e executivos da empresa acreditam que o fluxo no oleoduto possa ser retomado em breve, embora isso seja incerto.

Tudo isso levou à elevação do preço do petróleo e a uma maior pressão sobre Trump. Em novembro, seu Partido Republicano pode perder o controle que tem hoje do Congresso, com a guerra e a inflação de combustíveis como item de desgaste.

O cenário fez o republicanoaté anunciar uma tréguainexistente entre Rússia e Ucrânia acerca de ataques ao setor de energia dos dois países, como se isso fosse a causa única e não só uma contribuinte da escalada global de preços.

A Arábia Saudita chegou a pedir, segundo relatos não negados, para que Trumpajudasse a atacar os houthis, como fez em apoio a Israel antes. Mas o americano não aceitou, calculando presumivelmente o dano eleitoral de uma nova frente.

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Veículo: Folha Uol

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/sauditas-bombardeiam-o-iemen-houthis-atacam-porto-no-mar-vermelho.shtml

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