Jerusalém | AFP
O ministro da Segurança Nacional de Israel, o extremista Itamar Ben Gvir, apresentou nesta quinta-feira (3) um plano para expulsar os palestinos da Faixa de Gaza e enviá-los para o exterior.
Ben Gvir, do partido de extrema direita Poder Judaico, propôs a expulsão de 250 mil palestinos de Gaza em um ano, em um projeto de forte caráter eleitoral antes das eleições gerais de 27 de outubro em Israel.
O Hamas pediu nesta quinta-feira que países árabes e muçulmanos se oponham à proposta apresentada por ministros israelenses para expulsar os palestinos da Faixa de Gaza, classificando a iniciativa como uma tentativa de deslocamento forçado da população do território.

O ministro de Segurança Nacional de Israel, Ben Gvir, em manifestação de colonos pela expulsão de palestinos de Gaza – Amir Cohen -19.jul.26/Reuters
Os aproximadamente 2 milhões de habitantes restantes do território, devastado pela guerra entre Israel e o grupo islamista Hamas, deixariam Gaza ao longo dos seis anos seguintes.
“É realista”, declarou o ministro, membro da coalizão governista e frequentemente criticado no exterior.
“Temos que incentivar a emigração dos habitantes de Gaza”, acrescentou Ben Gvir, que afirmou que, em sua opinião, o plano não significa obrigar os palestinos a abandonar suas terras.
Ele também disse que vários países estão “dispostos” a acolher os habitantes de Gaza, mas não especificou quais.
O deslocamento forçado de civis de um território ocupado é considerado crime de guerra segundo a Convenção de Genebra.
Para os palestinos, qualquer tentativa de expulsá-los de suas terras remete à “Nakba”, termo que significa catástrofe e descreve o êxodo de 1948, após a fundação do Estado de Israel.
Ben Gvir é um aliado fundamental na frágil coalizão do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, do partido de direita Likud, mas seus comentários já provocaram condenações internacionais.
Em agosto, o ministro disse que Israel deveria matar “30 ou 40” pessoas todas as noites em Gaza, o que provocou repúdio da ONU e de países como França e Alemanha.
As eleições de 27 de outubro são apontadas como muito acirradas, e não está claro se os partidos que atualmente integram o governo continuarão no poder.
O ministro da Defesa, Israel Katz, do Likud, afirmou que o governo tem planos para deslocar os palestinos de Gaza, mas aguarda uma decisão dos Estados Unidos sobre para onde levá-los.
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Veículo: Folha Uol












