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Trump ameaça atacar Omã por negociações com o Irã

Presidente diz que sultanato, que discute controle do estreito de Hormuz, não deve ‘se meter no caminho’
Americano confirma à Fox News que tem canais de negociações paralelos com a Guarda Revolucionária

Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (17) que irá atacar Omã caso o sultanato árabe busque dividir o controle do estreito de Hormuz com o Irã. “Se Omã se meter no caminho, vamos bombardeá-los para c…”, disse.

A fala presidencial foi relatada pelo jornalista da Fox News Trey Yingst, baseado em Tel Aviv, que é um interlocutor frequente de Trump.

Petroleiro russo atingido por explosão vaza óleo na costa sul de Omã – Oman TV – 14.ago.26/AFP

É a primeira vez que o republicano ameaça diretamente um país árabe desde que iniciou sua guerra, ao lado de Israel, contra o Irã, em 28 de fevereiro. Até então, Omã era o país que conduzia a mediação entre americanos e iranianos acerca do programa nuclear dos aiatolás.

Quando a guerra começou, o sultanato acabou sendo alvo de ataques retaliatórios dos iranianos, o que gerou surpresa e repúdio no governo local.

Foram 66 lançamentos de mísseis e drones até o cessar-fogo de 17 de junho e 4 depois, segundo o Instituto para Estudos de Segurança Nacional (Israel).

Trump rompeu a trégua após Teerã atacar navios no estreito, por onde antes do conflito passava um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo, no começo de julho. Ele a retomou por falta de eficácia militar nas ações limitadas.

Ao mesmo tempo, manteve um bloqueio naval ao Irã que até o dia 14 desviou 62 navios, desabilitou 3 e abordou 2. Já Teerã manteve a ameaça de atacar quem passar por Hormuz sem pedir permissão e pagar um pedágio por sua carga.

Na prática, o estreito está fechado, registrando níveis mínimos de trânsito —menos de 10% do número de embarcações que por lá trafegavam antes da guerra.

Os iranianos então retomaram negociações diretas com Omã, que controla a margem sul de Hormuz e metade de suas águas. Na semana passada, Teerã disse que esse diálogo era independente de qualquer acordo com os americanos, o que levou à fúria de Trump.

Primeiro, ele disse que iria declarar o estreito americano após o fim do conflito. Agora, ameaça um país que até então era aliado no esforço para conter os iranianos. Omã é um país muito limitado do ponto de vista de dissuasão militar, apesar de investir proporcionalmente muito em defesa: 6,3% de seu PIB.

Mas sua defesa era, até aqui, baseada em coordenação com os ativos americanos e britânicos no Golfo Pérsico. Por óbvio, a fala de Trump pode ser bravata, mas marca uma inflexão na relação.

Ao jornalista da Fox News o presidente também confirmou algo que há muito já se suspeitava: que existe um relacionamento direto, por canais secretos, entre Washington e a Guarda Revolucionária do Irã, o verdadeiro poder no país.

“Eles são bons jogadores de pôquer, mas estão morrendo”, disse. Segundo ele, Teerã deveria “levantar a bandeira branca de rendição”.

A retórica repetitiva ocorre quando o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, começou a indicar nomes de linha-dura para posições importantes do governo, sugerindo um reforço do regime ante a perspectiva de um conflito mais duradouro.

Veículo: Folha Uol

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/08/trump-ameaca-atacar-oma-por-negociacoes-com-o-ira.shtml

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