Incentivo cultural deve ultrapassar R$ 4 bilhões em 2026 enquanto população enfrenta problemas na saúde, educação e segurança
A Lei Rouanet caminha para bater um novo recorde em 2026. Só nos quatro primeiros meses do ano, a captação de recursos já cresceu 65% em comparação com o mesmo período do ano passado. E olha que 2025 já tinha registrado o maior valor da história do mecanismo: R$ 3,4 bilhões.
Se continuar nesse ritmo, o Brasil deve ultrapassar os R$ 4 bilhões destinados à Lei Rouanet neste ano.
E estamos falando de um valor gigantesco para um país que ainda convive diariamente com pobreza, falta de infraestrutura, crise na saúde, educação precária e milhões de pessoas vivendo sem o mínimo básico.
Aí alguém pode dizer: “Pô, Fábio, mas a Lei Rouanet é legal. É uma lei cultural, de incentivo à cultura, à arte, às bibliotecas, aos grupos teatrais brasileiros, aos artistas regionais que não são reconhecidos”.
Não, gente. A maior parte desse dinheiro vai para nomes como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Djavan, Cláudia Raia e tantos outros artistas que, em tese, não precisariam desse tipo de incentivo.
E por que eu digo “em tese”? Porque, se são tão famosos, tão globais, tão midiáticos, deveriam conseguir atrair público apenas pelo próprio nome, pelo carisma e pelo talento que possuem.
Só que acontece uma coisa interessante no Brasil com essa destinação de recursos: não existe mais necessidade de produzir algo realmente bom.
Antigamente, precisava vender. E, para vender, precisava ser bom. Hoje não. O sujeito monta um espetáculo, conhece as pessoas certas, consegue captar milhões e pronto.
Não interessa se o espetáculo é bom ou ruim. Não interessa se vai ter público ou não. O dinheiro já entrou.
Foi o que aconteceu, por exemplo, com projetos milionários de Cláudia Raia e com tantos filmes brasileiros que são horrorosos e que ninguém assiste.
“Ah, mas o Brasil concorreu ao Oscar.”
Concorreram um ou dois filmes. Isso não muda o fato de que o público brasileiro, na maioria das vezes, não vai ao cinema assistir produção nacional.
É diferente da Coreia do Sul. É diferente da Argentina. É diferente da Inglaterra, do Canadá. Nem vou comparar com os Estados Unidos porque aí já seria humilhação.
Enquanto isso, nós temos bilhões sendo destinados à Lei Rouanet em um país miserável.
Um país onde professores ganham mal, escolas não têm estrutura, milhões de crianças ainda estão fora da sala de aula, quase 100 milhões de brasileiros vivem sem saneamento básico adequado, pessoas passam fome, estradas estão destruídas e pacientes morrem na porta de hospitais sem atendimento.
O salário mínimo vale cada vez menos. A segurança pública é uma tragédia.
Mas, ainda assim, estamos caminhando para mais de R$ 4 bilhões destinados à Lei Rouanet em um único ano.
E pode apostar: Caetano Veloso, Gilberto Gil e Djavan continuarão cantando “brilha uma estrela”, como se estivesse tudo maravilhoso no Brasil. Quer apostar?
Texto: Fábio Sousa
Foto: Redes Sociais











