Nos últimos três anos, a Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) passou por uma transformação relevante em sua cultura organizacional. Tradicionalmente vista com receio pelo produtor rural, que associava a chegada de nossas equipes a possíveis multas e sanções, a Agência reinventou sua maneira de atuar. Hoje somos uma instituição parceira, que prioriza a orientação e a educação antes de qualquer medida punitiva.
Essa mudança de paradigma não significa que deixamos de fiscalizar ou de aplicar as penalidades previstas na legislação quando necessário. A fiscalização continua sendo um pilar essencial do nosso trabalho. O que mudou foi a nossa abordagem. Compreendemos que o caminho mais eficaz para a sanidade agropecuária e para a produção de alimentos seguros passa, em primeiro lugar, pelo conhecimento. Antes de punir uma eventual falha, estendemos a mão para ensinar o caminho certo, fortalecendo a confiança e o diálogo com quem está na linha de frente da produção.
Um marco nesse processo foi a criação da Gerência de Educação Sanitária, que neste mês de outubro completa três anos de existência. Embora a educação sempre tenha feito parte de nossas atribuições, ela ganhou um impulso estratégico na gestão atual e se tornou um dos pilares da nossa filosofia de trabalho.
Do ponto de vista interno, a educação sanitária passou a estimular um olhar mais amplo sobre a atuação do fiscal agropecuário. Para isso, a Agrodefesa vem investindo não apenas em capacitações técnicas, mas também no desenvolvimento de habilidades comportamentais, na comunicação, no relacionamento interpessoal e na valorização dos servidores. São iniciativas que estimulam o protagonismo, fortalecem o sentimento de pertencimento e convidam cada profissional a reconhecer a relevância de sua contribuição para a sociedade.
Um dos principais instrumentos desse trabalho é o programa Multiplicadores da Defesa Agropecuária. Mais do que preparar servidores para ministrar palestras, a iniciativa busca desenvolver profissionais capazes de traduzir informações técnicas em orientações claras, acessíveis e adequadas às diferentes realidades do público. O propósito é que o conhecimento não seja apenas transmitido, mas compreendido e, sobretudo, transformado em atitudes que contribuam para a prevenção de riscos sanitários.
Em 2025, a Agrodefesa mostrou mais uma vez sua capacidade de planejar e executar grandes eventos com a realização do Encontro da Defesa Agropecuária de Goiás (Endago), um espaço de integração, atualização e troca de experiências entre profissionais, especialistas, instituições e parceiros. Em 2027, o evento chegará à sua segunda edição.
Outro trabalho de grande relevância foi a organização dos treinamentos voltados aos planos de contingência e emergência sanitária. A dimensão alcançada por essas mobilizações e sua repercussão demonstraram a importância da preparação contínua dos profissionais para situações que exigem respostas rápidas, coordenadas e eficientes.
Paralelamente ao trabalho interno, a educação sanitária vem ampliando seu alcance junto à população em geral. Por meio do programa Defensores Mirins, crianças e adolescentes são estimulados a compreender, desde cedo, a importância da saúde animal, da sanidade vegetal, da segurança dos alimentos e das atitudes preventivas. Somente durante a Pecuária de Goiânia deste ano, cerca de 3,5 mil jovens participaram de ações educativas.
Essa atenção às diferentes realidades também esteve presente nas ações desenvolvidas junto às comunidades quilombolas Kalunga do Engenho II, Vão do Moleque e Malhadinha, em Cavalcante, com a capacitação de vacinadores para a campanha contra a brucelose e com a realização de atividades educativas nas escolas. O trabalho buscou respeitar as particularidades culturais e o modo de vida das comunidades, demonstrando que a educação sanitária se torna mais efetiva quando considera a realidade das pessoas com quem dialoga.
A aproximação com universidades, institutos federais e entidades do setor agropecuário complementa esse esforço, contribuindo para a formação de profissionais mais conscientes dos desafios da defesa agropecuária e da importância de aliar conhecimento técnico, responsabilidade e capacidade de comunicação.
Caminhamos bastante, mas ainda há muito a ser feito. Os resultados alcançados demonstram que a defesa agropecuária é uma responsabilidade compartilhada entre governo, setor agropecuário e sociedade em geral. A Agrodefesa reafirma seu compromisso não apenas com a proteção do patrimônio agropecuário goiano, mas também com o desenvolvimento sustentável e com a saúde de toda a população. Seguimos firmes no propósito de ser uma agência que educa para proteger e que dialoga para avançar.
José Ricardo Caixeta Ramos é presidente da Agrodefesa.
Comunicação Setorial da Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) – Governo de Goiás
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Veículo: Goiás Gov Agrodefesa











