Gabriel Barnabé
São Paulo
A coalizão de Binyamin Netanyahu superou o bloco de oposição após a apuração de metade dos votos, segundo dados divulgados nesta quarta-feira (28) pela Comissão Eleitoral de Israel, um dia depois de eleições legislativas.
Após a apuração de 85% das urnas, o Likud, de Netanyahu, e seus aliados somam 53 das 120 cadeiras do Parlamento, contra 48 do bloco de oposição e 19 dos partidos árabes. Os resultados parciais ainda podem variar significativamente, e pesquisas indicam que os dois principais blocos estão tecnicamente empatados e sem maioria clara.
Os israelenses foram às urnas em massa na primeira eleição desde os ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023 e das subsequentes guerras em Gaza, no Líbano e no Irã. Segundo a Comissão Eleitoral Central, a participação chegou a 77,7%, a maior desde 1999 —o voto não é obrigatório no país.

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, e Gadi Eisenkot, ex-chefe das Forças Armadas e líder do partido de oposição Yashar – Amir Cohen/Reuters
As pesquisas de boca de urna apontaram uma disputa apertada. Segundo o Canal 12, o Likud deve conquistar 24 das 120 cadeiras do Knesset, ante 22 do Yashar. O bloco de oposição, porém, somaria 52 assentos, contra 50 dos aliados de Netanyahu, enquanto as listas árabes ficariam com 18. Nenhum dos dois grupos alcançaria diretamente os 61 parlamentares necessários para uma maioria.
Mais cedo, Netanyahu afirmou que o Likud é o maior partido do país e prometeu formar um novo governo “forte de direita”. Segundo ele, “a maioria judaica e sionista deve se unir”, uma vez que “é impensável ter um governo que conte com o apoio de partidos árabes”. O premiê ainda disse que Israel “tem uma oportunidade única” de, junto a Donald Trump, “eliminar para sempre a ameaça existencial do Irã”.
Eisenkot, por sua vez, afirmou que os resultados iniciais indicavam falta de confiança em Netanyahu e prometeu trabalhar para substituí-lo. O chanceler Gideon Saar, do Likud, rebateu dizendo que as comemorações da oposição eram prematuras.
Por sua vez, o presidente da Lista Conjunta Árabe acenou ao bloco contrário a Netanyahu. “Qualquer um que queira oferecer uma alternativa genuína e substantiva ao governo sanguinário de Netanyahu terá de falar conosco para pavimentar o caminho da mudança que o público israelense deseja”, disse Yousef Jabareen ao Canal 13.
O próximo governo dependerá de negociações entre os partidos, já que os israelenses não elegem diretamente o primeiro-ministro. Eles votam em listas partidárias, que recebem cadeiras proporcionalmente aos votos, desde que superem a cláusula de barreira de 3,25%.
Após a apuração, o presidente Isaac Herzog consulta as legendas e encarrega um parlamentar de tentar formar governo —não necessariamente o líder do partido ou do bloco mais votado, em particular em meio à ausência de uma maioria clara.
“Uma coisa precisa estar clara, e eu disse isso antes das eleições também: temos que fazer de tudo para evitar uma nova rodada de eleições”, afirmou Herzog nesta quarta em meio à incerteza sobre o resultado final.
O indicado terá 28 dias, prorrogáveis por até 14, para negociar uma coalizão. Se fracassar, a lei prevê outras tentativas antes de uma eventual nova eleição. Há também a possibilidade de um governo minoritário, sustentado por apoio externo. Até que um novo gabinete obtenha a confiança do Parlamento, Netanyahu permanece no cargo.
A eleição ocorre em meio a disputas sobre custo de vida, segurança nacional, alistamento militar de ultraortodoxos e as falhas do 7 de Outubro, quando o Hamas matou 1.200 pessoas e sequestrou 251 reféns em Israel.
Com mais de 19 anos acumulados no poder, Netanyahu, 77, tenta permanecer no cargo com apoio de partidos religiosos e de extrema direita. Ele apresenta as operações militares em Gaza, no Líbano e contra o Irã como prova de que fortaleceu a segurança do país, enquanto adversários cobram uma investigação sobre as falhas do 7 de Outubro.
Seu principal rival, Eisenkot, 66, comandou o Estado-Maior das Forças Armadas e integrou como observador o gabinete de guerra de Netanyahu, que deixou após criticar a condução do conflito. Líder do Yashar, defende a investigação do ataque, mudanças no serviço militar e a independência do Judiciário. Também rejeita a criação de um Estado palestino e propõe desmantelar a capacidade militar do Hamas.
Veículo: Folha Uol











