As Eleições Gerais de 2026 registraram um novo marco na participação das mulheres na política brasileira. No pleito realizado em 4 de outubro, as candidaturas femininas representaram 34,88% do total, alcançando o maior percentual já registrado no país. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), foram contabilizadas 7.188 candidatas e 13.419 candidatos homens.
O resultado representa um avanço de 1,1% em relação às eleições de 2022. Para o Movimento Mulheres Municipalistas (MMM), o crescimento demonstra uma ampliação da presença feminina na disputa eleitoral, mas os números também evidenciam que ainda há um longo caminho para alcançar maior equilíbrio nos espaços de poder e decisão.
Apesar da legislação estabelecer uma cota mínima de 30% de candidaturas femininas pelos partidos, as mulheres ainda correspondem a apenas 21% dos parlamentares eleitos. Para a presidente do MMM, Tania Ziulkoski, é necessário que os mecanismos de incentivo à participação feminina sejam efetivamente utilizados pelas legendas.
“As cotas são uma ferramenta com a finalidade de incluir mais mulheres nos espaços de decisão e, quando não são utilizadas com comprometimento pelas legendas, não apresentam resultados totalmente eficazes”, destacou.
O MMM avalia, entretanto, que o crescimento da participação feminina nas eleições deve ser reconhecido como uma conquista. O movimento destaca que o avanço das mulheres nos espaços políticos contribui para ampliar a representatividade e fortalecer a construção de políticas públicas voltadas às diferentes demandas da sociedade.
“A cada eleição, é observado o aumento do número de mulheres eleitas, quebrando recordes e possibilitando, de fato, representação feminina nos espaços de tomada de decisão. Nossa esperança é que um Congresso mais feminino reflita em mais políticas e orçamento para as mulheres”, afirmou Tania.
Mulheres ampliam presença no Legislativo
No Senado Federal, a participação feminina também alcançou um resultado histórico. Das 319 candidaturas registradas para a Casa, 70 eram de mulheres. Ao final da eleição, 12 senadoras foram eleitas, maior número registrado desde a redemocratização.
Com o resultado, 18 mulheres deverão exercer mandato no Senado a partir de janeiro de 2027. Atualmente, a Casa, composta por 81 senadores, conta com 15 mulheres, sendo que seis delas permanecem no cargo para cumprir os quatro anos restantes de seus mandatos.
Na Câmara dos Deputados, 109 mulheres foram eleitas, crescimento de aproximadamente 20% em relação a 2022, quando 91 deputadas conquistaram uma vaga. Em 2018, haviam sido eleitas 77 mulheres.
Apesar do avanço entre as eleitas, o número absoluto de candidaturas femininas à Câmara caiu. Foram 2.820 candidatas em 2026, contra 3.717 em 2022, redução de aproximadamente 24%. Proporcionalmente, entretanto, a participação feminina entre os candidatos a deputado federal passou de 35% para 36,7%.
Participação feminina nos governos estaduais ainda é pequena
A presença das mulheres nas disputas pelos governos estaduais permanece mais limitada. Sete estados não tiveram mulheres concorrendo ao cargo de governadora: Amapá, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Ceará, Maranhão e Paraíba.
No primeiro turno, Raquel Lyra foi a única mulher eleita governadora, conquistando a reeleição em Pernambuco. Outras candidatas avançaram para o segundo turno: Mailza Assis, no Acre; Celina Leão, no Distrito Federal; Professora Dorinha, no Tocantins; e Professora Maria do Carmo, no Amazonas.
Das 195 candidaturas registradas aos governos estaduais em 2026, apenas 32 foram encabeçadas por mulheres. Os números reforçam que, embora a participação feminina tenha avançado em diferentes espaços da política nacional, a presença das mulheres nas principais posições do Executivo estadual ainda permanece distante da igualdade.
As eleições também ampliaram a presença feminina nas vice-governadorias. Entre as eleitas estão Gabriella Aguiar, no Ceará; Luciana Gurgel, no Amapá; Elaine Carneiro, no Maranhão; Célia Rocha, em Alagoas; Gisela Simona, em Mato Grosso; Lígia Feliciano, na Paraíba; Priscila Krause, em Pernambuco; Elayne D’Almeida, no Pará; e Silvana Covatti, no Rio Grande do Sul.
Com nove vice-governadoras já eleitas, o resultado supera o registrado em 2022, quando seis mulheres conquistaram o cargo.
Para o Movimento Mulheres Municipalistas, os resultados de 2026 demonstram avanços importantes, mas também reforçam a necessidade de ampliar as condições para que mais mulheres participem efetivamente da política, disputem cargos eletivos e ocupem posições de liderança. O desafio, segundo o movimento, é transformar o crescimento das candidaturas em maior representatividade feminina nos espaços onde são tomadas decisões que impactam diretamente a população.
Veículo: FGM











