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María Corina tenta voltar à Venezuela enquanto Delcy se reúne com Trump, mas é barrada, diz assessor

Manoella Smith

São Paulo

A líder da oposição venezuelana María Corina Machado, vencedora do Nobel da Paz, tentou voltar à Venezuela três vezes na terça-feira (22), mas não conseguiu, segundo sua equipe. As tentativas ocorreram enquanto a líder interina Delcy Rodríguez se reunia com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à margem da Assembleia Geral da ONU, em Nova York.

Foi a primeira vez que Trump se reuniu pessoalmente com Delcy desde que uma operação militar americana capturou o então ditador Nicolás Maduro, em janeiro. Delcy foi vice durante o regime de Maduro, mas, até o momento, tem liderado o país sob a batuta de Washington. Ela tem cooperado com as exigências da Casa Branca, inclusive concedendo aos EUA acesso às reservas de petróleo da Venezuela.

Mulher de cabelos castanhos médios, usando blusa branca de gola alta, fala em microfone diante de fundo escuro em ambiente interno.

A líder opositora María Corina Machado na Assembleia da Cidade do Panamá – Martin Bernetti 25.mai.26/AFP

María Corina deixou a clandestinidade em que se encontrava na Venezuela em dezembro, quando viajou escondida para a Noruega para receber o Nobel da Paz. Após uma breve estadia nos EUA, se instalou na Cidade do Panamá, de onde tem tentado retornar ao país.

Críticos afirmam que o governo Trump deixou de lado a oposição liderada por María Corina, abandonando as exigências por eleições livres em favor de acordos de petróleo e investimentos com Delcy. A líder da oposição inclusive contestou o acordo de petróleo entre Washinton e Caracas.

Pedro Urruchurtu, assessor de María Corina, afirmou nas redes sociais que as duas tentativas mais recentes —uma por mar, outra por ar— somam sete fracassos desde que ela deixou a Venezuela no fim do ano passado.

Segundo reportagem do jornal espanhol ABC, que reconstruiu o histórico completo, as sete tentativas de retorno ocorreram por ar, terra e mar. A primeira, em 26 de junho, terminou com o avião privado que a levava a Curaçao sendo instruído a voltar aos EUA ainda em voo, após uma comunicação americana ao piloto. Dias depois, ela tentou embarcar em um voo comercial da Copa Airlines rumo a Caracas, mas a companhia havia recebido advertência de Caracas sobre possíveis sanções caso a transportasse.

As tentativas seguintes incluíram um plano por rota terrestre, nunca executado, e uma combinação de trajetos aéreo e marítimo. A mais elaborada, segundo o ABC, ocorreu em 21 de setembro. Uma pequena embarcação partiria do Panamá, cruzaria o Canal e navegaria dois dias até o Caribe. O plano foi cancelado horas antes da saída por um problema no motor.

As três últimas tentativas aconteceram todas no Panamá, em menos de 24 horas, depois que o plano do barco foi cancelado. Primeiro, a equipe buscou um voo alternativo para Aruba, mas o pouso não foi autorizado. No mesmo dia, tentaram ainda dois voos —um para Curaçao e outro para Bonaire—, mas nenhum dos dois recebeu autorização de pouso.

Saiba quem é María Corina Machado

O ABC informou que a líder venezuelana usou um passaporte diplomático panamenho emitido por razões humanitárias.

Após os terremotos gêmos que atingiram a Venezuela em juho, autoridades americanas teriam pedido reservadamente que María Corina adiasse seu retorno e se opuseram às suas tentativas de entrar novamente no país, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.

A líder opositora está exilada desde o final do ano passado. Anteriormente, ela passou um período escondida após a eleição de 2024 que reconduziu Maduro ao poder e foi acusada de fraude. María Corina prometeu repetidamente retornar à Venezuela após a captura de Maduro. Seu retorno, no entanto, continua incerto.

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Veículo: Folha Uol

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/09/maria-corina-tenta-voltar-a-venezuela-enquanto-delcy-se-reune-com-trump-mas-e-barrada-diz-assessor.shtml

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