Erik Wemple
The New York Times
A emissora CNN, a rede MS Now (antiga MSNBC) e o site Politico afirmaram nesta segunda-feira (21) que processarão o governo de Donald Trump por ter barrado o acesso de seus jornalistas às dependências da Casa Branca. As empresas argumentam que a medida viola os direitos garantidos pela Primeira Emenda da Constituição americana para a cobertura do presidente.
Na sexta-feira (18), Trump anunciou uma proibição contra os três veículos de comunicação, dizendo estar farto do que descreveu como uma cobertura negativa. No sábado (19), repórteres de cada um dos veículos tiveram o acesso à Casa Branca negado.
As empresas disseram, em uma declaração conjunta, que haviam informado ao governo que entrariam com uma ação judicial. Ainda nesta segunda, a CNN foi retirada da função de representante do pool de imprensa responsável pela cobertura televisiva da Casa Branca. Em resposta, as principais redes de televisão concordaram em suspender a cobertura conjunta dos compromissos do presidente Trump.
A decisão representa uma escalada extraordinária no confronto entre o governo Trump e a imprensa que cobre a Casa Branca.

Akayla Gardner, repórter da MS Now, antes de uma entrada ao vivo perto da Casa Branca – Annabelle Gordon – 20.set.26/Reuters
Pouco após o anúncio desta segunda, Trump foi às redes sociais afirmar que as empresas representam “uma ameaça à segurança nacional”. Em uma publicação em sua rede Truth Social, o presidente afirmou estar conduzindo uma ofensiva contra as “notícias falsas, algo que cresceu como um câncer” no país. “Isso é uma ameaça à nossa segurança nacional e precisa ser interrompido, agora!”, acrescentou.
Há anos, cinco redes —ABC, CBS, CNN, Fox News e NBC— compartilham a responsabilidade pela cobertura televisiva dos eventos presidenciais, dividindo os custos e distribuindo as imagens para organizações de notícias de todo o mundo. As redes se revezam na função, e a CNN estava escalada para cobrir a viagem de Trump à Assembleia-Geral das Nações Unidas, em Nova York.
Os compromissos do presidente nesta segunda-feira ainda devem ser acompanhados por jornalistas da imprensa escrita, do rádio e de agências de notícias, além de fotógrafos. “A partir de hoje, o pool de TV não fará a cobertura dos eventos presidenciais designados como cobertura conjunta”, escreveu Bryan Boughton, chefe da sucursal de Washington da Fox News, em uma mensagem enviada aos integrantes do pool e obtida pelo The New York Times.
Boughton é o presidente interino do consórcio. As redes se revezam na presidência a cada três meses.
As três empresas afirmaram que o veto do governo ocorreu sem aviso prévio. “A Casa Branca revogou as credenciais de nossos jornalistas porque discordou de nossa cobertura”, disseram. “Se isso não for contestado, representa uma ameaça à liberdade de imprensa e ao direito do público a um jornalismo independente e livre de interferência do governo.”
Em uma publicação no Truth Social na sexta, anunciando a proibição, Trump escreveu que “os veículos de comunicação não deveriam poder escrever ou noticiar constantemente ficção e mentiras”. Em declarações feitas no Salão Oval mais tarde naquele dia, ele disse: “Há algo de errado com um país que permite que as pessoas escrevam deliberadamente matérias negativas.”
Trump ataca constantemente os veículos cuja cobertura lhe desagrada. Ele apresentou diversas ações por difamação contra meios de comunicação, atacou a imprensa no Truth Social e agrediu verbalmente vários repórteres —sobretudo mulheres.
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Em disputas judiciais anteriores envolvendo o acesso de jornalistas, tribunais federais decidiram que, uma vez que autoridades do governo abrem suas portas para a imprensa, não podem excluir veículos específicos simplesmente porque não gostam do teor de sua cobertura.
Durante o primeiro mandato de Trump, a Casa Branca revogou as credenciais de dois jornalistas: Jim Acosta, da CNN, e Brian Karem, correspondente da revista Playboy. As credenciais de ambos foram restabelecidas após contestações judiciais distintas.
Nos dois casos, os juízes destacaram que, antes de revogar as credenciais de imprensa, a Casa Branca deve dar aos jornalistas a oportunidade de contestar os motivos apresentados para a medida.
Veículo: Folha Uol












