O Ministério da Saúde anunciou novas medidas para ampliar e qualificar a assistência às pessoas com doença renal crônica no Sistema Único de Saúde (SUS). A iniciativa busca garantir atendimento especializado no momento adequado, prevenir a progressão da doença e reduzir a ocorrência de casos mais graves.
A mudança integra o programa Agora Tem Especialistas e estabelece uma nova organização do atendimento por meio das Ofertas de Cuidados Integrados (OCIs). O modelo reúne consultas, exames, acompanhamento multiprofissional e outros procedimentos necessários ao paciente em um mesmo percurso assistencial.
Com a nova estrutura, os valores destinados aos conjuntos de procedimentos de nefrologia terão aumento entre 263% e 360% em relação aos pagamentos anteriores. Na preparação do paciente para a hemodiálise, por exemplo, o valor passa de R$ 940,22 para R$ 3.000,63.
A proposta é diminuir o intervalo entre as diferentes etapas do atendimento e evitar que o paciente precise buscar, separadamente, consultas, exames e procedimentos. As OCIs serão organizadas de acordo com o estágio da doença renal e as necessidades de cada pessoa, permitindo acompanhamento contínuo e preparação adequada para os casos em que seja necessário iniciar uma terapia renal substitutiva.
A portaria que estabelece os novos cuidados e valores das OCIs de Nefrologia foi assinada nesta quinta-feira (17), durante o XXXIII Congresso Brasileiro de Nefrologia, realizado em Belo Horizonte (MG).
Novos tratamentos para anemia
Outra medida anunciada pelo Ministério da Saúde foi a atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da Anemia na Doença Renal Crônica.
O documento incorpora ao SUS novas alternativas terapêuticas, entre elas a carboximaltose férrica e a derisomaltose férrica, além de estabelecer os critérios para utilização dos tratamentos.
A estimativa do Ministério da Saúde é de impacto de aproximadamente R$ 3,5 milhões em 2026 com as novas alternativas. Para 2027, a previsão é de cerca de R$ 13,5 milhões.
Transplante renal
O transplante renal também faz parte da linha de cuidado. A partir do acompanhamento especializado, pacientes com doença renal crônica em estágio avançado poderão ser identificados e encaminhados para avaliação por equipes transplantadoras no momento adequado, inclusive antes da necessidade de iniciar a diálise.
As normas do Sistema Nacional de Transplantes já estabelecem que pacientes em estágio avançado da doença, mesmo aqueles que ainda não realizam diálise, devem receber orientações sobre a possibilidade do transplante e ter acesso à avaliação especializada.
Ampliação da estrutura de atendimento
As novas OCIs se somam às ações de expansão da assistência renal no SUS. Entre janeiro de 2025 e agosto de 2026, foram realizadas 62 habilitações de serviços, sendo 25 destinadas à hemodiálise, quatro à diálise peritoneal e 33 ao acompanhamento de pacientes antes da necessidade de diálise.
O atendimento antecipado permite acompanhar a evolução da doença, planejar o tratamento e preparar o paciente com maior antecedência caso seja necessária uma terapia renal substitutiva.
Outra iniciativa é o transporte de pacientes que necessitam de hemodiálise. Por meio do Agora Tem Especialistas, foram destinados 963 veículos para apoiar o deslocamento de pessoas que precisam percorrer mais de 50 quilômetros até os locais de tratamento.
O transporte sanitário eletivo é oferecido gratuitamente aos usuários e tem como objetivo facilitar o acesso de pacientes que precisam realizar deslocamentos frequentes para sessões de hemodiálise.
As medidas reforçam a estratégia de ampliar o diagnóstico, o acompanhamento e o tratamento especializado da doença renal crônica no SUS, buscando reduzir a progressão da doença e organizar de forma integrada o atendimento aos pacientes.
Veículo: FGM











