Incentivos públicos ao audiovisual voltam a ser questionados após anúncio da Tela Brasil
A Tela Brasil vai ser um sucesso extraordinário. Ou melhor, o “Lulaflix”.
A Netflix deve estar morrendo de preocupação. A Prime Video também. E a Disney já deve estar pensando no que fazer com Star Wars, Marvel e todo o catálogo dela diante da concorrência brasileira.
Ironias à parte, o governo Luiz Inácio Lula da Silva vai gastar milhões de reais dos cofres públicos para criar uma plataforma que deve exibir filmes que praticamente ninguém quer assistir.
Filmes que não levam público ao cinema.
Filmes que muitas vezes nem conseguem se sustentar sem dinheiro público.
É claro que o Brasil produz coisas boas.
As comédias brasileiras costumam funcionar muito bem. “Minha Mãe é uma Peça” virou fenômeno. Cidade de Deus é um filmaço. Tropa de Elite também marcou época.
As novelas brasileiras têm qualidade de produção reconhecida.
Mas o grande problema é outro.
No Brasil, boa parte do audiovisual deixou de depender do público para sobreviver.
O produtor muitas vezes já ganha dinheiro antes mesmo de saber se alguém vai assistir à obra.
Recebe verba pública, incentivos, Lei Rouanet, recursos da Ancine e pronto.
Se o filme for sucesso ou fracasso, pouco importa.
E aí nasce um problema óbvio: não existe mais pressão por qualidade.
Na Coreia do Sul, na Argentina e em vários outros países, o cinema precisa conquistar o público.
Aqui, muitas vezes basta ser alinhado politicamente, ter bons contatos e acessar mecanismos de financiamento.
E agora surge uma plataforma pública de streaming que vai custar milhões aos cofres públicos.
A pergunta é simples: quem vai assinar isso?
Porque até quem defende o governo provavelmente continuará assistindo série na Netflix e filme nos streamings tradicionais.
O problema não é incentivar cultura.
O problema é gastar dinheiro público sem garantia de retorno, audiência ou interesse popular.
Texto: Fábio Sousa
Foto: Redes Sociais











