Após fim de semana com ação sem precedentes contra Moscou, Kremlin retalia com mais de 500 drones e mísseis
Kiev mata ao menos dois no sul do vizinho, e Zelenski pressiona pela volta da negociação de paz com Putin
A violência voltou a escalar na Guerra da Ucrânia na madrugada desta segunda-feira (18), com um grande ataque do Kremlin em retaliação pela ação de Kiev contra Moscou no fim de semana.
Foram lançados 524 drones e 22 mísseis no ataque, focado nas cidades de Dnipro (centro) e Odessa (sul). Ao menos 32 pessoas ficaram feridas.
Bombeiro vistoria prédio atingido por ataque russo contra o porto de Odessa, na Ucrânia – Nina Liachonok/Reuters
No porto de Odessa, o principal da Ucrânia, três navios estrangeiros foram atingidos por destroços de drones abatidos pela defesa antiaérea, inclusive uma embarcação de carga chinesa —Pequim é aliada de Moscou, e nesta semana Vladimir Putin irá se encontrar com Xi Jinping, que recebeu na semana passada Donald Trump.
Na mão contrária, as forças de Volodimir Zelenski dispararam uma nova onda de drones contra o vizinho. Ao menos duas pessoas morreram na região meridional de Belgorodo, além de ter mirado instalações energéticas russas.
O ataque seguiu amaior ação dos ucranianoscontra a capital russa no conflito iniciado em fevereiro de 2022, com mais de 500 drones sendo enviados a Moscou no domingo (17). Ao menos três pessoas morreram em áreas próximas da cidade.
Essa ação, por sua vez, foi uma resposta ao maior ataque aéreo da Rússia contra os ucranianos em todo conflito: ao longo de três dias na semana passada, mais de 1.500 drones e dezenas de mísseis foram disparados, matando dezenas de pessoas.
Toda essa violência renovada acompanha a discussão sobre a retomada das negociações de paz entre os rivais. Na semana passada, o Kremlin sugeriu que elas poderiam ser mediadas pelo ex-premiê alemão Gerhard Schröder, o que foi descartado por Kiev porque o político tem laços históricos com Putin.
Nesta segunda, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, disse que acreditava na possibilidade de conversas, rebatendo o pessimismo expresso na véspera por Trump, que criticara o mega-ataque russo à Ucrânia.
Já Zelenski afirmou que está na hora de os europeus escolherem um mediador para a crise, dado o foco do presidente americano na crise com o Irã, que pode voltar a ser uma guerra ativa já nesta semana. Achar um nome que seja palatável aos russos é outra história.
Com tudo isso, mantendo o padrão visto durante a guerra, ambos os lados tentam mostrar força com a troca de ataques. Os ucranianos têm buscado atingir principalmente a infraestrutura energética russa, visando reduzir os ganhos do Kremlin com a guerra no Oriente Médio.
O virtual fechamento do estreito de Hormuz, por onde passavam 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do planeta, levou a um aumento das exportações russas —Trump até suspendeu parcialmente o embargo à venda do óleo russo, medida que expirou, mas pode ser retomada.
Com isso, em abril o Kremlin anunciou ter tido uma receita de US$ 9 bilhões (R$ 45 bilhões) com a venda de petróleo, quase o dobro do que registrou no mês que antecedeu o início da guerra contra Kiev. O setor, majoritariamente estatal na Rússia, paga royalties ao Tesouro, ajudando a bancar a continuidade da guerra.
Veículo: Folha Uol












