Cidade do Vaticano | Reuters
O Vaticano informou nesta quarta-feira (13) que um grupo católico ultratradicionalista poderá ser excomungado caso prossiga com planos de ordenar novos bispossem autorização do papa Leão 14.
Em um dos primeiros confrontos doutrinários do novo pontificado, a Santa Sé comunicou à Fraternidade São Pio 10, fundada pelo bispo francês Marcel Lefebvre (1905-1991) e com sede na Suíça, que a cerimônia configuraria um cisma, ou seja, uma ruptura formal com o papa e com a Igreja Católica.
O papa Leão 14 durante celebração na Basílica de São Pedro, no Vaticano – Andreas Solaro – 4.abr.26/AFP
O aviso foi feito pelo cardeal Victor Fernandez, que classificou a possível ordenação de “grave ofensa contra Deus” e afirmou que ela implicaria numa excomunhão automática.
A Fraternidade São Pio 10 é um movimento ultraconservador que rejeita as reformas do Concílio Vaticano 2º, encontro histórico feito nos anos 1960 que promoveu amplas reformas na Igreja Católica; reivindica a missa em latim; e contesta a ideia de que o Estado não deve constranger ninguém em matéria de fé. Hoje tem cerca de 700 sacerdotes e centenas de milhares de fiéis no mundo, mas apenas dois bispos.
Sem novos bispos, a fraternidade perde a capacidade de ordenar sacerdotes e corre o risco de desaparecer no longo prazo. O embate é apontado por especialistas como um dos maiores testes do pontificado de Leão 14.
Lá Fora
Entre as mudanças adotadas pelo Concílio Vaticano 2º esteve a autorização para que missas deixassem de ser celebradas exclusivamente em latim e passassem a usar idiomas locais. O grupo, porém, sempre se opôs à alteração sob argumento de que o rito em latim preserva um senso maior de solenidade e mistério.
Pelas regras da Igreja, pessoas excomungadas são consideradas totalmente separadas da comunidade católica. Elas ficam impedidas de receber sacramentos, exercer cargos religiosos e, caso morram sem reconciliação com a Igreja, não podem receber funeral católico.
A relação entre o Vaticano e a Fraternidade São Pio 10 é marcada por décadas de tensão. O fundador do grupo, Marcel Lefebvre, foi excomungado em 1988 após ordenar quatro bispos sem autorização do então papa João Paulo 2º.
Anos depois, o papa Bento 16 buscou reaproximação com o grupo e retirou as excomunhões que ainda permaneciam em vigor.
Em fevereiro, a atual liderança da fraternidade anunciou que pretende ordenar novos bispos em julho, mencionando a necessidade de ampliar sua estrutura religiosa. O Vaticano, porém, reiterou que apenas o papa tem autoridade para autorizar a consagração de bispos.
Segundo a doutrina católica, tanto o bispo que faz a ordenação sem consentimento papal quanto a pessoa ordenada incorrem em excomunhão.
Veículo: Folha Uol












