Genebra | AFP
Quase 900 civis morreram em ataques com drones no Sudão entre janeiro e abril deste ano, informou nesta segunda-feira (11) a ONU, que advertiu que esse tipo de operação arrasta o conflito sudanês para uma fase “ainda mais letal”.
Mais de três anos de guerra civil no Sudão deixaram dezenas de milhares de mortos, mais de 11 milhões de deslocados e várias regiões à beira da fome.
As operações com drones do Exército sudanês e das paramilitares Forças de Apoio Rápido (RSF), em confronto desde abril de 2023, se intensificaram nos últimos meses em todo o país. “Os ataques com drones foram responsáveis por pelo menos 880 mortes de civis entre janeiro e abril deste ano”, informou o escritório de Direitos Humanos da ONU.
Avião danificado por ataque aéreo no aeroporto internacional de Cartum, no Sudão – Ebrahim Hamid – 28.abr.26/AFP
“Os drones armados se tornaram a principal causa de mortes de civis”, afirmou o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk. Segundo ele, “se uma ação não for adotada imediatamente, o conflito está a ponto de entrar em uma nova fase, ainda mais letal“.
Os mercados viraram alvos frequentes dos ataques, com pelo menos 28 que deixaram vítimas civis nos primeiros quatro meses do ano. Os centros de saúde foram atingidos em pelo menos 12 ocasiões.
Türk alertou que o aumento da violência afetará a entrega de ajuda humanitária essencial. “Grande parte do país (…) enfrenta agora um risco maior de fome e insegurança alimentar aguda”, disse.
As negociações por um cessar-fogo continuam estagnadas. Iniciativas lideradas por EUA, países árabes, União Africana e outros atores que visavam a uma trégua fracassaram nos últimos anos. Também há poucos ganhos territoriais de lado a lado.
A guerra opõe Abdel Fattah al-Burhan, comandante do Exército regular, a Mohamed Hamdan Dagalo, conhecido como Hemeti e líder das RSF, um grupo paramilitar que busca controlar o Estado após a queda do antigo regime.
No país que registrava índices altos de pobreza e problemas socioeconômicos já antes do conflito, a guerra desmantela estruturas básicas de sobrevivência, afirmam organizações humanitárias.
A crise atinge com intensidade as crianças. Mais de 15 mil menores de cinco anos foram internados por desnutrição aguda no último ano, enquanto doenças se espalham devido ao colapso do sistema de saúde, diz a organização Médicos Sem Fronteiras.
Programas de vacinação foram interrompidos, e a vigilância epidemiológica deixou de funcionar, o que favorece surtos de sarampo, cólera e hepatite E em várias regiões do país. Em todo o país, 37% das unidades de saúde estão inoperantes, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
Veículo: Folha Uol











