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Hezbollah diz que cessar-fogo não tem sentido, e Líbano afirma que Israel fez novo ataque

São Paulo

O Hezbollah afirmou nesta sexta-feira (24), um dia após o cessar-fogo entre o Líbano e Israel ter sido prorrogado por três semanas, que a trégua não tem sentido diante das “agressões” do Estado judeu.

Logo após a divulgação do comunicado, o Exército de Israel emitiu uma ordem de evacuação para uma cidade no sul do Líbano, onde parte do território está ocupado militarmente por Tel Aviv. Segundo um comunicado divulgado, um míssil do Hezbollah derrubou um de seus drones na região.

O Ministério da Saúde do Líbano disse que duas pessoas foram mortas na ofensiva israelense nesta sexta.

Ataques de Tel Aviv continuam atingindo o país vizinho a despeito da trégua. Na quarta, ao menos cinco pessoas morreram, tornando o dia mais mortal no Líbano desde o início do cessar-fogo em 16 de abril. Entre os mortos na ofensiva está a jornalista libanesa Amal Khalil.

Fumaça é vista em vilarejo no sul do Líbano durante operação do Exército israelense – Gil Eliyahu – 23.abr.26/Reuters

O deputado Ali Fayyad, do Hezbollah, afirmou em nota que “o cessar-fogo não tem sentido diante da insistência de Israel em atos hostis, como assassinatos, bombardeios e disparos”. O parlamentar ainda citou a destruição de vilarejos no sul do Líbano e pediu que o governo libanês deixe as negociações diretas com Israel.

Tropas israelenses permanecem posicionadas em uma faixa de território libanês de 5 a 10 km ao longo de toda a fronteira. O Hezbollah, apoiada pelo Irã, afirma ter “direito de resistir” à ocupação.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a extensão da trégua na quinta-feira, após receber os embaixadores de Israel e do Líbano na Casa Branca. O acordo entre os dois países venceria no domingo (26).

O republicano disse que que os EUA vão trabalhar com o Líbano para ajudar o país a “se proteger do Hezbollah” e que espera reunir o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun, “em um futuro breve”.

Mais cedo na quinta, Aoun disse que o “ataque deliberado e recorrente” de Israel contra profissionais de imprensa tem como objetivo “ocultar a verdade sobre seus atos agressivos contra o Líbano”. Ele classificou a morte da jornalista de “crime descarado” que violou as “regras mais básicas” do direito internacional.

Ataques de Israel ao Líbano

Israel lançou uma série de bombardeios contra o Líbano desde o dia 2 de março, com o foco de atingir o Hezbollah em meio a escalada no conflito do Oriente Médio

Israel tem buscado alinhar-se ao governo libanês em relação ao Hezbollah, que Beirute tenta desarmar pacificamente há um ano. A complexidade do processo reflete a política sectária do Líbano, na qual o grupo é também um partido com representação no Parlamento e em cargos no governo, além de organização social de profunda capilaridade, em particular entre a população muçulmana xiita do país.

Washington nega ligação entre a mediação no Líbano e as negociações sobre a guerra com o Irã. Já o Hezbollah diz que a trégua é resultado da pressão iraniana, não da atuação americana.

O Líbano foi arrastado para o conflito após o Hezbollah atacar Israel em 2 de março, em apoio ao Irã. O país persa, por sua vez, havia sido atacado por Washington e Tel Aviv em 28 de março, o que desencadeou um conflito que se espalhou pelo Oriente Médio.

O cessar-fogo no Líbano foi negociado separadamente das tentativas de Washington de resolver o conflito com Teerã, embora o Irã tenha defendido a inclusão do país árabe em uma trégua mais ampla enquanto negocia acordo para encerrar a guerra com os EUA.

Na Faixa de Gaza, um ataque israelense matou três pessoas nesta sexta-feira, segundo autoridades de saúde palestinas, que atuam sob controle do grupo terrorista Hamas. O Ministério do Interior de Gaza afirmou, em um comunicado, que o ataque teve como alvo uma patrulha policial na capital do território.

O Exército de Israel não comentou o episódio.

A violência em Gaza tem persistido apesar do cessar-fogo de outubro de 2025, e os dois lados se acusam mutualmente de violar a trégua. Ao menos 790 palestinos foram mortos desde então, segundo médicos locais, enquanto Israel afirma que membros do Hamas mataram quatro de seus soldados.

Com Reuters

Veículo: Folha Uol

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/04/hezbollah-diz-que-cessar-fogo-nao-tem-sentido-e-libano-afirma-que-israel-fez-novo-ataque.shtml

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