Teerã | Reuters
O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Ghalibaf, que participou das conversas com os Estados Unidos, afirmou neste domingo (12) que Washington foi incapaz de conquistar a confiança de Teerã. As negociações chegaram ao fim sem um acordo.
“Meus colegas na delegação iraniana (…) apresentaram iniciativas construtivas, mas, em última instância, a outra parte não conseguiu conquistar a confiança da delegação iraniana nesta rodada de negociações”, disse Ghalibaf em uma publicação no X.
Ghalibaf também afirmou que os Estados Unidos entenderam “a lógica e os princípios do Irã” e que agora têm de “decidir se podem ou não conquistar” a confiança do país.
Além disso, o Ministério das Relações Exteriores do país afirmou no domingo que ninguém esperava que as negociações com os EUA chegassem a um acordo em uma única sessão.
“Naturalmente, desde o início, não deveríamos esperar chegar a um acordo em uma única sessão. Ninguém tinha essa expectativa”, disse o porta-voz do ministério, Esmaeil Baghaei, segundo a emissora estatal Irib. Baghaei afirmou que Teerã está confiante de que os contatos com o Paquistão continuarão.
As negociações de paz entre os Estados Unidos e o Irã na capital do Paquistão, Islamabad, terminaram sem que os países em guerra chegassem a um acordo, jogando na incerteza o futuro do frágil cessar-fogo entre os dois países adversários na guerra no Oriente Médio.
O vice-presidente americano, J. D. Vance, disse na manhã de domingo (12) no Paquistão ter feito uma oferta final ao Irã nas conversas. Todos os membros da delegação americana já deixaram o país.
Lá Fora
“Conversamos por 21 horas”, disse o vice de Donald Trump em breve declaração à imprensa em um hotel de Islamabad.
A fala contradiz declarações anteriores da delegação iraniana, que dizia esperar mais discussões no domingo. Após a entrevista de Vance, entretanto, a TV estatal do país persa confirmou o fim das negociações, colocando a culpa do fracasso em “exigências excessivas” dos EUA.
“A boa notícia é que tivemos discussões significativas com os iranianos. A má notícia é que não chegamos a um acordo, e acho que é uma notícia muito pior para o Irã do que para os EUA”, disse o vice-presidente americano. Não está claro se haverá nova rodada de discussões em outro momento ou se os países retomarão os bombardeios na guerra, que já matou milhares de pessoas em toda a região.
Vance afirmou que o Irã optou por não aceitar os termos americanos, incluindo a proibição de construir armas nucleares. “Precisamos de um compromisso firme de que eles não buscarão armas nucleares e que não buscarão os meios que lhes permitiriam obtê-las rapidamente”. Vance afirmou que esse era o objetivo central do presidente dos Estados Unidos.
O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Ishaq Dar, afirmou que era “imperativo” preservar o cessar-fogo de duas semanas acordado na terça-feira (7).
A delegação dos EUA , que chegou ao Paquistão no sábado (11), foi liderada pelo vice-presidente e inclui o enviado especial do presidente Donald Trump, Steve Witkoff, e o genro do mandatário, Jared Kushner.
Já a iraniana, composta por mais de 70 membros, foi encabeçada pelo presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Ghalibaf, e pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.
No que foi o encontro de mais alto nível entre Washington e Teerã desde a Revolução Islâmica de 1979, as delegações realizaram três rodadas de conversas —a terceira só terminou na madrugada de domingo (12), noite de sábado no Brasil.
O diálogo aconteceu no hotel cinco estrelas Serena, com jardins e arquitetura mourisca, que é um dos edifícios mais fortificados de Islamabad e tem o próprio esquema de segurança.
Também no sábado, a emissora estatal iraniana afirmou que a delegação de Teerã apresentou demandas relacionadas ao estreito de Hormuz, à liberação de ativos iranianos bloqueados, ao pagamento de reparações para cobrir danos causados pela guerra e um cessar-fogo que alcance toda a região.
A última vez em que EUA e Irã negociaram olho no olho foi na costura do acordo nuclear de 2015, que trocou o fim de sanções à teocracia por um intrincado esquema de verificações segundo o qual seria restringida a capacidade de enriquecimento de urânio do país por 15 anos, visando coibir a busca pela bomba atômica.
Israel afirma que guerra com o Irã ainda não acabou
O premiê israelense, Binyamin Netanyahu, tentou atenuar críticas internas de que a guerra com o Irã não havia alcançado objetivos em um discurso televisionado no sábado (11), no qual evitou falar diretamente sobre a tentativa de diálogo entre os Estados Unidos e o Irã. As informações foram publicadas pelo jornal The New York Times.
Em um pronunciamento que teve 13 minutos de duração no sábado à noite, Netanyahu disse à audiência israelense que “a batalha ainda não acabou”, sem dar mais detalhes. Em seguida, destacou avanços do país nos combates.
“Há conquistas enormes aqui”, disse Netanyahu sobre a guerra no Irã. “Esta é uma mudança histórica. Nós destruímos o programa nuclear. Nós destruímos os mísseis e destruímos o regime.”
Segundo aliados de Netanyahu, a condução do vice-presidente J. D. Vance nas negociações indicava que os Estados Unidos e Israel estavam alinhados nas condições para que um cessar-fogo acontecesse.
A guerra de Israel com o Irã gerou custos orçamentários de 35 bilhões de US$ 11,52 bilhões (cerca de R$ 57 bilhões) para Tel Aviv, segundo informações divulgadas pelo Ministério das Finanças do país no domingo.
Veículo: Folha Uol












