Mundo https://www.jaedestaque.com.br Mon, 22 Jun 2026 14:37:46 +0000 pt-BR hourly 1 Passado nazista na Ucrânia reabre crise com a Polônia https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/22/passado-nazista-na-ucrania-reabre-crise-com-a-polonia/ https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/22/passado-nazista-na-ucrania-reabre-crise-com-a-polonia/#respond Mon, 22 Jun 2026 14:37:41 +0000 https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/22/passado-nazista-na-ucrania-reabre-crise-com-a-polonia/ Igor Gielow

São Paulo

A decisão do presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, de batizar uma unidade militar com o nome da força responsável por estimadas 100 mil mortes de poloneses com apoio dos nazistas na Segunda Guerra Mundial reabriu uma crise com sua aliada Polônia.

Na sexta-feira (19), o presidente polonês, Karol Nawrocki, retirou a mais alta condecoração do país de Zelenski após o colega dar a uma unidade que luta contra a invasão russa o nome de Exército Insurgente Ucraniano (UPA, na sigla local).

Ativistas de extrema direita ucranianos fazem a saudação e empunham bandeiras do UPA em protesto contra parada LGBT em Kiev, em 2025 – Serguei Supinski – 14.jun.25/AFP

Entre 1943 e 1944, o UPA promoveu o que Varsóvia chama de limpeza étnica de regiões no oeste da Ucrânia, então na linha de frente entre as ocupações nazista e do domínio da União Soviética. No processo, morreram milhares de pessoas, algo que Kiev reconhece, mas não aceita a denominação polonesa de genocídio.

A Ucrânia fala em “tragédia de Volínia e Galícia”, nome das regiões afetadas, e lembra que milhares de cidadãos do país morreram em represálias.

Adversário do presidente Nawrocki, um trumpista eleito neste ano, o premiê pró-europeu Donald Tusk pediu para os dois lados abandonarem o debate, que chamou de “erro estratégico”.

Já Zelenski negou a intenção de ofender os vizinhos e dizendo que seu decreto foi só uma homenagem à bravura dos soldados, mas disse que se a Ucrânia perder a guerra contra a Rússia a Polônia ficará sem uma proteção natural contra Vladimir Putin.

Veja imagens da celebração dos 80 anos da vitória soviética

Não é a primeira vez em que o passado na Ucrânia assombra Zelenski, que até por ser judeu rejeita a acusação de Moscou de liderar um governo neonazista. A pecha é parte do discurso do Kremlin para justificar a agressão iniciada em 2022, e integra um movimento maior de Putin para buscar reescrever a história de modo mais favorável a Moscou.

Com a Guerra da Ucrânia, isso foi intensificado e correlações entre a libertação da Europa do nazifascismo pelo Exército Vermelho e o conflito atual são correntes no discurso público russo.

A questão se complica porque diversas unidades de Zelenski prestam homenagens a forças que lutaram contra os soviéticos e viram a invasão nazista de 1941 como uma oportunidade de se livrar do jugo de Moscou. A Ucrânia foi o segundo país mais importante dos 15 que integravam o império comunista (1922-1991).

O caso mais notório é o do Batalhão Azov, que adota simbologia e discurso neonazistas. Tanques ucranianos costumam ter uma cruz que lembra a das Forças Armadas de Adolf Hitler, e há um culto oficial à memória de Stepan Bandera (1909-1959), líder nacionalista fascista que lutou contra os soviéticos.

Ajuda militar à Ucrânia

Em 2023, Zelenski foi duramente criticado por ter aplaudido de pé no Canadá um veterano ucraniano que serviu nas forças de combate voluntárias das SS, a organização que levou a cabo o Holocausto.

No caso do UPA original, o legado é mais matizado. Um de seus motes era “Não a Ioska [apelido de Josef Stálin] e não a Fritz [nome derrogatório para alemães]”, e de fato em vários momentos suas forças combateram tanto nazistas quanto soviéticos.

Mas as alianças pontuais com os nazistas visando o controle territorial para o pós-guerra viraram o mote da rivalidade, explorada também por Moscou desde então. Já ucranianos apontam para o fato de algumas unidades de voluntários russos hoje serem de ultradireita.

O tema é especialmente sensível na Polônia, hoje o país da Otan que mais gasta proporcionalmente com defesa, por ter tido o território dividido entre soviéticos e nazistas nos dois anos de vigor do pacto entre Hitler e Stálin, de 1939 a 1941.

Kiev, por sua vez, acusa Varsóvia de limpeza étnica devido à deportação de 140 mil ucranianos étnicos em 1947, sob a acusação de fomentarem separatismo. Ainda assim, Zelenski havia tentado fazer um gesto aos vizinhos na semana passada, dando permissão para a exumação de poloneses massacrados em um distrito de Volínia.

Veículo: Folha Uol

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/06/passado-nazista-na-ucrania-reabre-crise-com-a-polonia.shtml

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Rei Charles 3º irá divulgar sua declaração de imposto de renda, algo inédito para um monarca britânico https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/22/rei-charles-3o-ira-divulgar-sua-declaracao-de-imposto-de-renda-algo-inedito-para-um-monarca-britanico/ https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/22/rei-charles-3o-ira-divulgar-sua-declaracao-de-imposto-de-renda-algo-inedito-para-um-monarca-britanico/#respond Mon, 22 Jun 2026 14:36:53 +0000 https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/22/rei-charles-3o-ira-divulgar-sua-declaracao-de-imposto-de-renda-algo-inedito-para-um-monarca-britanico/ RFI

O rei Charles 3º irá divulgar o valor de seus impostos pessoais em um esforço de transparência, confirmou o Palácio de Buckingham neste domingo (21), algo inédito para um monarca britânico. A decisão surge em meio ao crescente interesse público nas finanças da família real.

Desde 1993, seguindo uma prática introduzida durante o reinado de Elizabeth 2ª, o monarca britânico paga impostos sobre sua renda privada, embora não seja legalmente obrigado a fazê-lo. Ele também não é obrigado a publicar sua declaração de imposto de renda.

O rei Charles 3º durante uma cerimônica no Palácio de Buckingham – Aaron Chown – 9.jun.26/via Reuters

No entanto, os repetidos escândalos envolvendo Andrew Mountbatten-Windsor, que teve seu título de príncipe retirado pelo seu envolvimento com o caso Jeffrey Epstein, colocaram a família real britânica e suas finanças no centro das atenções.

Quando era príncipe de Gales, antes de ascender ao trono após a morte de Elizabeth 2ª em setembro de 2022, Charles já havia tornado públicas suas declarações de imposto de renda. Mas ele se tornará o primeiro monarca a divulgá-las.

A decisão foi tomada “a pedido expresso do próprio rei”, afirmou um porta-voz do palácio em comunicado publicado na noite de sábado (20) e enviado a um seleto grupo de veículos de imprensa britânicos. A medida faz parte das “adaptações implementadas desde a sua ascensão ao trono”.

Veja imagens de Charles 3º da infância à vida adulta reunidas para biografia 'O Rei'

“O nosso objetivo é explicar todos os elementos das finanças reais de uma forma que aumente ainda mais a clareza e a acessibilidade, inserindo-os num contexto histórico e constitucional”, acrescentou o porta-voz.

“Em suma: continuamos a modernizar e a evoluir”. A declaração de impostos para o ano fiscal de 2024-2025 será publicada nesta quinta-feira (25), segundo a rede britânica BBC.

‘Questões sem resposta’

O grupo antimonarquista Republic afirmou que o anúncio do Palácio de Buckingham deixou “muitas perguntas sem resposta”. Os opositores argumentam que é necessária “uma revisão verdadeiramente independente dos rendimentos, despesas e impostos” dos membros da família real.

“Por que o imposto de renda é opcional? […] Por que Charles conseguiu evitar o pagamento de milhões de libras em imposto sobre herança quando sua mãe morreu?”, questionou o grupo. Os bens transmitidos diretamente de um monarca para o seguinte são isentos de imposto sobre herança.

Veja imagens do ex-príncipe Andrew

Ao contrário de Charles quando era príncipe de Gales, seu filho mais velho, o príncipe William, optou por não divulgar suas informações fiscais.

Recuperando a imagem real

Além da renda proveniente de suas terras e propriedades, a família real recebe uma subvenção pública, a “Subvenção Soberana”.

Esta é a verba anual paga pelo governo aos membros da família real que trabalham (atualmente sete) para ajudá-los a desempenhar suas funções oficiais. Seu valor foi de £ 132,1 milhões em 2025-2026 (R$ 900,6 milhões). A Subvenção Soberana não é tributável.

A família real busca recuperar sua imagem após uma série de revelações sobre Andrew, o irmão mais novo do rei, como seus laços com o criminoso sexual Epstein, que morreu na prisão em 2019.

Norman Baker, ex-deputado do Partido Liberal Democrata de 1997 a 2015, afirmou em uma entrevista recente à AFP que a queda de Andrew “abriu as portas” para questionar a monarquia. Ele lamentou que o público britânico “não saiba nada” sobre o “verdadeiro custo” da família real.

Veículo: Folha Uol

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/06/rei-charles-3o-ira-divulgar-sua-declaracao-de-imposto-de-renda-algo-inedito-para-um-monarca-britanico.shtml

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Keir Starmer anuncia renúncia no Reino Unido https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/22/keir-starmer-anuncia-renuncia-no-reino-unido/ https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/22/keir-starmer-anuncia-renuncia-no-reino-unido/#respond Mon, 22 Jun 2026 14:36:00 +0000 https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/22/keir-starmer-anuncia-renuncia-no-reino-unido/ José Henrique Mariante

Berlim

Keir Starmer anunciou nesta segunda-feira (22), em Londres, que deixará de ser primeiro-ministro do Reino Unido. Em um breve pronunciamento em frente ao número 10 de Downing Street, a sede do governo, Starmer afirmou ter apresentado sua renúncia ao rei Charles 3° nesta manhã.

Seu provável sucessor, Andy Burnham, ex-prefeito de Manchester, também nesta segunda foi empossado como membro do Parlamento, condição política para se tornar candidato à premiê dentro do Partido Trabalhista. Visivelmente emocionado em seu discurso, Starmer declarou que dará “apoio pleno e inequívoco” a seu sucessor.

“A questão que meu partido está levantando agora é se sou a pessoa mais indicada para nos liderar nas próximas eleições gerais”, disse o premiê. “Ouvi a resposta do meu grupo parlamentar a essa questão e a aceito de bom grado”, completou Starmer, em tom digno, bem diferente do adotado por Boris Johnson, em julho de 2022.

Em situação semelhante, pressionado a renunciar pelo próprio partido, o conservador deixou o cargo atirando —chegou a chamar sua então maioria no Parlamento de “manada”.

Se não tiver adversários dentro do Partido Trabalhista, Burnham poderia tomar posse em julho. No caso de eleições internas, Starmer afirmou que solicitará à direção da sigla o registro de candituras até 9 de julho. “Isso garantirá a posse de um novo líder antes da volta do Parlamento [do recesso] em setembro”, declarou Starmer.

Keir Starmer anuncia sua renúncia durante pronunciamento em Downing Street, em Londres, nesta segunda-feira (22) – Toby Shepheard/Reuters

Ex-secretário de Saúde de Starmer, Wes Streeting é uma das poucas vozes dentro do partido a defender o pleito interno. Na semana passada, o político, de uma ala mais à direita do trabalhismo, afirmou que não só mantinha tal intenção como também já tinha assegurado os 81 votos de parlamentares trabalhistas necessários para apresentar uma candidatura.

“Ficarei no posto até que o processo seja completado e farei de tudo que puder para assegurar uma transição de poder organizada”, afirmou o premiê, alvo, na véspera, de comentários depreciativos de Donald Trump.

Starmer, 63, ex-diretor do Ministério Público, não completou dois anos no cargo. Com uma vitória arrasadora em junho de 2024, pôs fim a uma controversa era conservadora, que começou há exatos dez anos, com o plebiscito que determinou a saída do país da União Europeia. Desde o brexit, o Reino Unido teve cinco trocas de poder.

Se o pior momento da história para os Conservadores elegeu os trabalhistas de maneira dramática há dois anos, também revitalizou a extrema-direita no país, simbolizada pelo Reform UK, do populista Nigel Farage. Ainda que contestado, o governo Starmer só sucumbiu após os trabalhistas serem superados pela sigla da Farage em eleições regionais, em maio.

Gari varre a calçada em frente ao número 10 de Downing Street, sede do governo britânico, na manhã desta segunda-feira (22), enquanto jornalistas aguardam pronunciamento de Keir Starmer -  Henry Nicholls/AFP

Gari varre a calçada em frente ao número 10 de Downing Street, sede do governo britânico, na manhã desta segunda-feira (22), enquanto jornalistas aguardam pronunciamento de Keir Starmer – Henry Nicholls/AFP

Concorreu para o ocaso de Starmer a revelação, em abril, de que Peter Madelson, seu indicado para a embaixada britânica nos EUA, havia sido reprovado em um escrutínio de segurança. Semanas antes, Mandelson já havia pedido demissão após detalhes de sua amizade com Jeffrey Epstein terem sido explorados fartamente pela imprensa britânica.

Starmer condenou a falta de cuidado do próprio gabinete, mas o estrago de imagem foi irreversível.

Sinal dos tempos, Farage teve uma reação mais incisiva do que a dos conservadores diante do anúncio do premiê, dizendo ser “ridículo fingir que Andy Burnham tenha qualquer tipo de mandato para liderar o país”. Segundo o líder de ultradireita, Burnham “tem bons motivos para ter medo de nós”.

“O Reform é o único partido que ouve os anseios dos trabalhadores e lhes oferece soluções, em vez de bajulação e condescendência”, escreveu Farage em rede social, já usando um tom de campanha contra o propalado futuro adversário.

Em seu discurso de renúncia, Starmer listou feitos de seu governo, como “uma economia forte” e “salários crescendo mais alto do que a inflação em todos os meses” desde que tomou posse. Nada disso superou a instabilidade política e, segundo críticos, a falta de assertividade em temas como impostos, imigração e proteção social.

“Toda decisão que tomei foi para colocar o país que amo em primeiro lugar. Por isso renuncio ao cargo de líder do Partido Trabalhista”, disse Starmer em seu discurso, reconhecendo que sua saída era inevitável para contornar a crise que se instalou no governo.

Veículo: Folha Uol

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/06/keir-starmer-anuncia-renuncia-no-reino-unido.shtml

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Bombardeios de Israel em Gaza causaram perda de US$ 2,6 bilhões no primeiro ano de guerra, afirma estudo https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/21/bombardeios-de-israel-em-gaza-causaram-perda-de-us-26-bilhoes-no-primeiro-ano-de-guerra-afirma-estudo/ https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/21/bombardeios-de-israel-em-gaza-causaram-perda-de-us-26-bilhoes-no-primeiro-ano-de-guerra-afirma-estudo/#respond Sun, 21 Jun 2026 14:37:14 +0000 https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/21/bombardeios-de-israel-em-gaza-causaram-perda-de-us-26-bilhoes-no-primeiro-ano-de-guerra-afirma-estudo/ Pesquisa demonstra que conflito no território palestino eliminou 75% das atividades econômicas de toda a região
Levantamento, que se baseou em imagens de satélite, conclui que 82% de cada km² foi danificado pelo menos uma vez

A destruição generalizada na Faixa de Gaza causou uma perda de 75% das atividades econômicas somente no primeiro ano de conflito: US$ 2,6 bilhões foram eliminados do consumo médio familiar local. É o que aponta um novo estudo publicado pela revista PNAS Nexus, uma publicação da Academia Nacional de Ciências dos EUA e da Universidade de Oxford.

Segundo os dados obtidos, somente no primeiro ano do conflito, até outubro de 2024, 82% de cada km² da Faixa de Gaza havia sido danificado ao menos uma vez, e 67,9% de toda a área construída foi destruída.

A perda média de luminosidade (fator posteriormente relacionado ao apagamento econômico) nas zonas atingidas chegou a 68,5% —e a 80,1% nas áreas danificadas desde o início da guerra.

Crianças palestinas jogam futebol em rua da Cidade de Gaza, ao lado de prédios destruídos por bombardeios de Israel – Dawoud Abu Alkas – 13.jun.26/Reuters

A pesquisa, assinada por economistas e geógrafos de quatro instituições, é a primeira a estimar o impacto econômico da guerra usando exclusivamente dados de satélite, sem depender de nenhuma fonte ligada às partes do conflito.

“A guerra foi travada no terreno, mas também na informação”, diz à Folhao italiano Daniele Rinaldo, um dos pesquisadores responsáveis pelo estudo. “Todo dado era contestado. A única forma de contornar esse problema era olhar para informações que não dependessem de nenhuma das partes.”

A equipe combinou mapas de dano construídos a partir de imagens de satélite e medições de luminosidade noturna, parâmetro consagrado na economia do desenvolvimento para estimar atividade econômica.

A destruição foi mais intensa nos primeiros três meses: nesse período, mais de 60% do território foi danificado pela primeira vez, o que, segundo o estudo, responde pela maior parte do impacto econômico total.

“Estamos capturando apenas o impacto imediato sobre a atividade econômica causado pelo dano físico. Não estamos contando as implicações de longo prazo, o impacto sobre a saúde, o que a destruição e a pobreza vão causar daqui para frente”, afirma Rinaldo.

Ele explica que, para converter a queda de luminosidade em valores econômicos, a equipe calculou a interação entre as características luminosas com o PIB e com gastos domésticos. No primeiro caso, uma análise acerca da guerra de 2014 apontou validade na correlação. Naquele momento, diz ele, “os dois sinais se alinharam muito bem, o que indica que estão medindo algo semelhante.”

O resultado encontrado com os dados relacionados a 2023 e 2024 demonstrou uma perda de 75,3% do PIB de Gaza, número que, em áreas mais severamente atingidas, chegou a 97%.

Os autores também testaram se a queda na luminosidade poderia ser explicada apenas pelos cortes de eletricidade impostos por Israel. Segundo Rinaldo, porém, os resultados permaneceram consistentes mesmo ao considerar diferenças no momento em que diversas fontes de energia foram interrompidas.

Palestinos enfrentam dificuldades para obter água na Faixa de Gaza

Palestinos enfrentam dificuldades para obter água na Faixa de Gaza

Ao correlacionar os dados com as ordens de retirada do Exército de Israel, o estudo concluiu que nenhuma das zonas sob tais ordens escapou de destruição severa, consequentes queda de luminosidade e dano econômico.

As Forças Armadas israelenses repetidamente afirmam não atacar alvos sem ligação com o grupo terrorista Hamas. Os militares negam ter o objetivo de ferir civis ou atingir locais que não sejam supostamente cooptados por terroristas.

Rinaldo afirma que, segundo os dados analisados, é possível concluir uma relação direta e quase instantânea entre parar os bombardeios e aumentar a atividade econômica.

Durante o cessar-fogo de novembro de 2023, por exemplo, a luminosidade nas áreas danificadas teve um aumento de 25% sobre o nível pós-destruição em apenas uma semana, de 24 a 30 de novembro. “As populações são mais resilientes do que imaginamos. Mesmo depois de uma destruição massiva, em uma semana a atividade recomeça”, diz o pesquisador.

Após meses de cessar-fogo, guerra em Gaza ainda perdura com crise humanitária e ataques

Após meses de cessar-fogo, guerra em Gaza ainda perdura com crise humanitária e ataques

Enquanto isso, a operação israelense segue em curso. No fim de maio, o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu declarou ter ordenado que o Exército assuma controle de 70% de Gaza. A ordem viola os termos do cessar-fogo de outubro de 2025, em que ficou estabelecida uma presença militar de Israel em 53% do território, com redução gradual da ocupação.

Apesar de estar em vigor há cerca de oito meses, o acordo entre Israel e o Hamas não pausou, de fato, a violência em Gaza.

Ao menos 715 palestinos na região morreram em bombardeios ou por tiros desde o dia 10 de outubro de 2025, segundo o Ocha, escritório da ONU para coordenação de questões humanitárias, com base em informações do Ministério da Saúde, controlado pelo Hamas. O governo em Tel Aviv diz que quatro soldados israelenses morreram no mesmo período.

As mortes de palestinos acumuladas até o começo de abril de 2026 passam de 72 mil. A ONU também fez um alerta de que Israel pode ter cometido crimes de guerra ao matar pessoas em áreas próximas à linha de armistício.

Veículo: Folha Uol

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/06/bombardeios-de-israel-em-gaza-causaram-perda-de-us-26-bilhoes-no-primeiro-ano-de-guerra-afirma-estudo.shtml

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Passado socialista da Alemanha explica ascensão da extrema direita, diz político de extrema direita https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/21/passado-socialista-da-alemanha-explica-ascensao-da-extrema-direita-diz-politico-de-extrema-direita/ https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/21/passado-socialista-da-alemanha-explica-ascensao-da-extrema-direita-diz-politico-de-extrema-direita/#respond Sun, 21 Jun 2026 14:36:24 +0000 https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/21/passado-socialista-da-alemanha-explica-ascensao-da-extrema-direita-diz-politico-de-extrema-direita/ Ex-Alemanha Oriental explica força da AfD, diz político – 21/06/2026 – Mundo – Folha

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  • Segundo Gordon Köhler, período em que parte do país pertenceu ao bloco soviético deixou fragilidade econômica
  • Deputado estadual diz que acusações de extremismo contra AfD são exageradas e fala em liberdade de expressão

21.jun.2026 às 6h00

Manuela Ferraro

Magdeburgo (Alemanha)

Defendendo medidas como a deportação forçada de imigrantes, a volta do marco alemão como moeda e o uso de energia nuclear e do petróleo, a AfD (Alternativa para a Alemanha) cresce na Alemanha e pode vencer eleições regionais em setembro.

No bucólico estado de Saxônia-Anhalt, por exemplo, o apoio à legenda de extrema direita chega a 41% nas pesquisas de opinião, número que pode garantir um governo local sem a necessidade de coalizão com outros partidos.

Na opinião de um deputado estadual da AfD, essa expansão da sigla tem raízes na maneira como a Alemanha lida com seus imigrantes e com a sua economia —mas também está ligada à relação de seus moradores com o regime socialista que governou a região até os anos 1990.

Apoiador usa camiseta com slogan da AfD (Alemanha primeiro) em evento do partido em Halberstadt, no estado da Saxônia-Anhalt – Liesa Johannssen – 20.mai.26/Reuters

“Na República Democrática Alemã (RDA) não havia possibilidade de acumular patrimônio como imóveis privados, ações e coisas do tipo. Ninguém tinha reservas financeiras”, explica Gordon Köhler, vice-líder da bancada da AfD no parlamento estadual. Ele diz que, quando o regime caiu, as famílias no leste do país viveram uma grande transformação, perdendo empregos da noite para o dia.

“Quando converso com amigos dos estados ocidentais, eles frequentemente possuem uma rede de segurança financeira muito maior. Quem herdou três apartamentos ou cem mil euros em ações dos pais tem preocupações diferentes. Aqui, qualquer crise afeta as pessoas muito mais rapidamente”.

Quando a pandemia chegou, segundo Köhler, muitas pessoas na Saxônia-Anhalt teriam sentido que a imprensa tentou dizer a elas o que pensar. “Quando converso com pessoas que viveram na RDA, elas dizem: ‘temos a sensação de que isso nos lembra exatamente aquela época, quando informações eram fornecidas de maneira a levar às pessoas a adotar uma opinião desejada pelo governo’”.

Gordon Köhler, deputado estadual pela AfD na Saxônia-Anhalt

Gordon Köhler, deputado estadual pela AfD na Saxônia-Anhalt – Gordon Köhler no facebook/Gordon Köhler no facebook

A rigidez das medidas adotadas por Berlim teria agravado essa sensação. “Houve mercados de natal ao ar livre nos quais as pessoas não podiam comprar uma salsicha. Muitos viram isso como uma forma de tutela excessiva e algo difícil de compreender, o que gerou uma perda de confiança na política”.

Natural de Magdeburg, a capital do estado, Köhler fez carreira no serviço público. Trabalhou no chamado “jobcenter”, órgão responsável por apoiar pessoas desempregadas ou que ganham pouco. Depois, passou uma década trabalhando nas áreas de asilo e seguridade social. Hoje, cuida da área do partido ligada a assuntos das famílias.

Preocupações econômicas, específicas da região, também estão jogo, na opinião do político. A Saxônia-Anhalt concentra a maior parte do chamado triângulo químico da Alemanha Central, polo industrial que luta para manter suas empresas de pé.

“Essas empresas representam 25% do PIB [do estado]. Se esse setor entrar em crise, as consequências serão fundamentais para a região. E isso naturalmente fortalece o apoio ao partido”, diz.

Criada em 2013 em resposta à condução da economia na União Europeia, a AfD passou rapidamente a adotar bandeiras populistas e xenófobas. Colecionandoepisódios controversos, a sigla tem integrantes investigados por discurso de ódio e neonazismo.

Até pouco tempo atrás, a sigla era classificada como extremista pelo Escritório Federal de Proteção à Constituição (BfV), serviço interno de inteligência cuja função é investigar ameaças domésticas e figuras políticas que possam representar um perigo para a ordem constitucional alemã. Em fevereiro, o partido conseguiu derrubar a classificação com uma liminar na Justiça.

Köhler diz que, especialmente nos primeiros anos da AfD, membros do partido fizeram declarações e generalizações inadequadas sobre migrantes, e afirma que o partido corrigiu parte dessa linguagem.

Köhler acusa o BfV de lealdade aos outros políticos partidos alemães. E afirma que muitas das acusações de extremismo contra membros da AfD são exageradas e se baseiam em declarações que, segundo ele, estão protegidas pela liberdade de expressão.

“Durante uma manifestação, fiz uma comparação com a Alemanha Oriental durante a pandemia. Eu disse que havia uma economia de escassez e restrições à liberdade de viajar, e que aquilo lembrava os tempos da RDA. Por causa dessa frase, fui acusado de ‘deslegitimar o Estado’, e apenas por essa declaração já se passa a me interpretar como extremista de direita”, diz.

Esta reportagem foi feita durante o Internationale Journalisten-Programme, que tem apoio do Ministério de Relações Internacionais da Alemanha

Veículo: Folha Uol

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/06/passado-socialista-da-alemanha-explica-ascensao-da-extrema-direita-diz-politico-de-extrema-direita.shtml

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Trump ameaça atacar Irã novamente por conflitos no sul do Líbano https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/21/trump-ameaca-atacar-ira-novamente-por-conflitos-no-sul-do-libano/ https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/21/trump-ameaca-atacar-ira-novamente-por-conflitos-no-sul-do-libano/#respond Sun, 21 Jun 2026 14:35:35 +0000 https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/21/trump-ameaca-atacar-ira-novamente-por-conflitos-no-sul-do-libano/ Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (21) que pode voltar a atacar o território iraniano caso o país continue a fazer uma “guerra por procuração” no sul do Líbano.

“O Irã deve parar imediatamente seus ALIADOS bem pagos no Líbano de causar problemas”, escreveu Trump no Truth Social. “Se não pararem, vamos atingir o Irã com muita força novamente, assim como fizemos na semana passada, só que com mais força ainda!!!”

A declaração vem em meio a uma viagem de seu vice-presidente, J. D. Vance, à Suíça para tratativas de finalização do acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã.

Os dois países haviam assinado nesta quarta-feira (17) um acordo que prevê 60 dias de negociações para encerrar a guerra. Um dos pontos mais contenciosos do acordo é a permanência de conflitos no Líbano, onde Israel e o Hezbollah, grupo extremista aliado de Teerã, continuam trocando agressões.

No sábado (20), Israel voltou a bombardear o sul do país vizinho, apesar de um cessar-fogo assinado na sexta (19). Em resposta, Teerã voltou a anunciar o fechamento do estreito de Hormuz, fundamental para o comércio mundial de petróleo.

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, no estado de Maryland, em frente ao avião VC-25B, um presente dado pelo Qatar que sera usado como a aeronave oficial da presidência – Elizabeth Frantz /Reuters

Pelo menos 30 pessoas morreram ontem no leste e no sul do território libanês. A calma voltou ao final do dia, quando o Exército israelense recebeu a ordem de cessar os confrontos com o Hezbollah.

Vance chegou neste domingo (21) à Suíça para as tratativas com o Irã. De acordo com seu porta-voz, Vance chegou com sua esposa à base aérea de Emmen, próxima a Lucerna, na região central da Suíça, às 5h59 do horário local.

Folha viaja ao Irã e é o primeiro jornal do mundo a conseguir entrar no país durante o conflito com EUA e Israel

Antes do voo para a Europa, Vance disse a jornalistas que esperava ter avanços na questão nuclear e no tema do cessar-fogo no Líbano, sobre os quais as conversas estariam centradas.

Ao chegar, Vance afirmou que o presidente dos EUA, Donald Trump, está comprometido com um cessar-fogo amplo em toda a região. O vice-presidente, porém, minimizou os ataques de Israel ao sul do Líbano neste sábado (20) e disse que acordos de cessar-fogo como o feito entre os Estados Unidos e o Irã são sempre “um pouco confusos”. Ele afirmou, ainda, que o Irã tem causado instabilidade na região.

Apesar disso, Vance levou a mensagem de que Trump estaria disposto a “virar a página” da relação entre os dois países. Segundo fontes ouvidas pela agência Reuters, representantes dos EUA e do Irã sentaram à mesa com mediadores do Qatar como parte das tratativas que acontecem na Suíça.

A declaração de Trump, na direção oposta de Vance, pode aumentar as tensões na região.

Veículo: Folha Uol

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/06/trump-ameaca-atacar-ira-novamente-por-conflitos-no-sul-do-libano.shtml

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Rival de Starmer vence eleição no Reino Unido e ameaça futuro de primeiro-ministro https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/19/rival-de-starmer-vence-eleicao-no-reino-unido-e-ameaca-futuro-de-primeiro-ministro/ https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/19/rival-de-starmer-vence-eleicao-no-reino-unido-e-ameaca-futuro-de-primeiro-ministro/#respond Fri, 19 Jun 2026 14:37:32 +0000 https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/19/rival-de-starmer-vence-eleicao-no-reino-unido-e-ameaca-futuro-de-primeiro-ministro/ Andy Burnham, prefeito da Grande Manchester, no norte da Inglaterra, conquistou uma cadeira no Parlamento nesta quinta-feira (18), um passo decisivo em seus planos de disputar com o primeiro-ministro Keir Starmer a liderança do Partido Trabalhista e do país.

Burnham derrotou com facilidade um grupo de candidatos de mais de meia dúzia de partidos, obtendo 24.937 votos, cerca de 55%.

Em breves declarações após a divulgação de sua vitória, Burnham disse que as pessoas haviam “votado pela mudança, votaram por mais poder para o norte, votaram pela esperança”. É uma mensagem que ele pretende levar para sua candidatura ao cargo de primeiro-ministro.

“Eu digo ao meu próprio partido: esta é a última chance de mudar”, afirmou Burnham. “Precisamos ouvir isso, precisamos agir de acordo com isso e precisamos acertar. Não haverá uma segunda chance, mas esta é a oportunidade, a partir do resultado desta noite, de construir uma nova política.”

O Reform UK, partido populista de direita liderado por Nigel Farage, fracassou em sua tentativa de impedir a vitória de Burnham, apesar do sucesso em uma série de eleições locais no mês passado. Rob Kenyon, o candidato do Reform, teve um desempenho melhor do que o de seu partido nas eleições gerais de dois anos atrás, mas ficou em segundo lugar com 15.696 votos, ou cerca de 34% dos votos expressos.

Euro Radar

Uma newsletter sobre geopolítica e economia global, editada pelo jornalista João Caminoto, de Paris

Autoridades eleitorais anunciaram na madrugada desta sexta-feira (19) os resultados da eleição especial em Makerfield, região composta por antigas vilas de mineração de carvão e cidades mercantis.

A vitória vai motivar os apoiadores de Burnham, que têm defendido que ele representa a melhor chance do Partido Trabalhista de desafiar o partido Reform. Em seu discurso, Burnham aludiu ao desejo de combater a ascensão de políticos populistas e polarizadores e, em vez disso, “unir as pessoas novamente”.

Ele afirmou que sua vitória era uma chance para o país se afastar “do caminho que nos leva a uma política dividida e sombria, do tipo que vemos nos Estados Unidos”.

Kenyon foi parcialmente prejudicado pela presença de um candidato representando o Restore Britain, partido de extrema direita que defende que Farage e seus seguidores não são extremistas o suficiente. O candidato do Restore obteve 3.111 votos, ou quase 7% dos votos.

Mas, somados, os votos dos dois partidos de direita ainda teriam ficado muito aquém do número necessário para derrotar Burnham e vencer a disputa.

Burnham pode agora iniciar o processo de tentar destituir Starmer, que se tornou um dos primeiros-ministros menos populares da história moderna da Grã-Bretanha.

Ainda não está claro quando Burnham poderá desafiar o primeiro-ministro —e como Starmer reagirá.

O primeiro-ministro afirmou que lutará para permanecer no cargo que conquistou há quase dois anos. Mas vários parlamentares trabalhistas declararam publicamente que Starmer deveria se afastar, para o bem do partido e do país, caso Burnham o desafie.

Veículo: Folha Uol

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/06/rival-de-starmer-vence-eleicao-no-reino-unido-e-ameaca-futuro-de-primeiro-ministro.shtml

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Cem guerrilheiros entregam armas em acordo com Petro na Colômbia https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/19/cem-guerrilheiros-entregam-armas-em-acordo-com-petro-na-colombia/ https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/19/cem-guerrilheiros-entregam-armas-em-acordo-com-petro-na-colombia/#respond Fri, 19 Jun 2026 14:36:48 +0000 https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/19/cem-guerrilheiros-entregam-armas-em-acordo-com-petro-na-colombia/ Valle del Guamuez (Colômbia) | AFP

Cerca de cem guerrilheiros entregaram suas armas nesta quinta-feira (18) em uma região de floresta no sul da Colômbia, no âmbito de uma negociação com o presidente de esquerda Gustavo Petro, que faz seus últimos esforços para salvar sua questionada política de paz.

A três dias do segundo turno que definirá o próximo presidente, a entrega das armas é o primeiro passo para que os rebeldes possam se instalar em uma zona especial onde esperam consolidar negociações com o governo.

Membros do grupo guerrilheiro CNEB entregam suas armas durante cerimônia de desarmamento acordada com o governo colombiano no município de Valle del Guamuez – Raul Arboleda – 18.jun.2026/AFP

O ato também representa o maior avanço da política de “paz total” de Petro, o primeiro governante de esquerda da Colômbia, que tentou sem sucesso negociar com todos os grupos armados do país.

Vestidos com uniformes camuflados, 99 rebeldes da Coordenadora Nacional Exército Bolivariano (CNEB) deixaram seus fuzis em um grande contêiner com a inscrição “Aposta na vida, cumpro a paz”, em meio à floresta no departamento de Putumayo, no sul do país.

“Estou muito feliz, mal consigo conter a alegria de saber que não vamos mais ficar longe da família”, disse um rebelde sob condição de anonimato.

No domingo (21), os colombianos elegerão o presidente entre o senador Iván Cepeda, aliado de Petro que promete dar continuidade à iniciativa de paz, e o ultradireitista Abelardo de la Espriella, defensor do fim de qualquer tipo de aproximação com as organizações ilegais.

Petro entregará o poder em 7 de agosto.


A newsletter da Folha sobre América Latina, editada pela historiadora e jornalista Sylvia Colombo


Entre os dissidentes do acordo de 2016 que desarmou as Farc, este é o único grupo guerrilheiro que avança sem contratempos nas negociações de paz com Petro.

O governo estima que a CNEB tenha entre 2.000 e 2.500 integrantes.

Embora a CNEB domine territórios estratégicos para a produção de drogas na fronteira com o Equador, ela é pequena quando comparada ao Exército de Libertação Nacional (ELN) ou a outras dissidências das Farc, como a liderada por Iván Mordisco, o rebelde mais procurado do país.

É “uma mensagem muito forte e muito poderosa para a sociedade colombiana nesta época em que há muito barulho de guerra”, afirmou Armando Novoa, chefe da delegação de paz do governo junto à CNEB.

Os rebeldes permanecerão durante dez meses nesse terreno, onde anteriormente havia plantações de coca, aguardando avanços sobre seu desarmamento definitivo e sua situação jurídica.

A entrega de armas é incomum nesse tipo de negociação na Colômbia, país marcado por seis décadas de conflito armado. As Farc fizeram isso apenas um ano após a assinatura do acordo de paz.

Em Putumayo, os guerrilheiros receberam kits de higiene e livros antes de ingressarem na zona onde permanecerão em casas equipadas com painéis solares, sob a proteção da unidade estatal de escoltas.

As forças militares os transportaram de helicóptero de territórios remotos até uma região do Valle del Guamuez, localidade onde permanecem a partir desta quinta.


A posse de Gustavo Petro, 1º presidente de esquerda da Colômbia


Entre os dissidentes do acordo de 2016 que desarmou as Farc, este é o único grupo guerrilheiro que avança sem contratempos nas negociações de paz com Petro.

O próximo presidente poderá decidir encerrar a mesa de negociações, o que faria com que eles perdessem benefícios como a suspensão dos mandados de prisão.

Os rebeldes reunidos em Putumayo obedecem às ordens de Walter Mendoza, ex-integrante das Farc que assinou o acordo de paz, mas que voltou a pegar em armas em 2019 e que não participou do evento.

“Sinto-me orgulhoso de contribuir para a paz”, disse o guerrilheiro conhecido como Ferney, carregando sua mochila nas costas. “Meu desejo é me preparar em alguma profissão para nunca mais voltar a praticar nada ilícito nesta vida.”

Petro tem se recusado a extraditar comandantes guerrilheiros comprometidos com os processos de paz na Colômbia, o que tem gerado descontentamento em Washington.

O presidente Donald Trump apoia abertamente Espriella nas eleições, em meio à pior onda de violência da última década.

Espriella propõe uma política de “mão de ferro” para enfrentar rebeldes e narcotraficantes no país que mais produz cocaína no mundo.

Veículo: Folha Uol

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/06/cem-guerrilheiros-entregam-armas-em-acordo-com-petro-na-colombia.shtml

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Trump nega desespero por acordo e diz que Irã não receberá ‘nem um centavo’ https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/19/trump-nega-desespero-por-acordo-e-diz-que-ira-nao-recebera-nem-um-centavo/ https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/19/trump-nega-desespero-por-acordo-e-diz-que-ira-nao-recebera-nem-um-centavo/#respond Fri, 19 Jun 2026 14:36:02 +0000 https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/19/trump-nega-desespero-por-acordo-e-diz-que-ira-nao-recebera-nem-um-centavo/ São Paulo

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rebateu nesta sexta-feira (19) declarações do líder supremo do Irã de que teria agido em desespero ao firmar um acordo para encerrar o conflito no Oriente Médio e afirmou que o regime no país persa não receberá “nem um centavo”, apesar de o entendimento prever compensação financeira a Teerã.

“Não nos reunimos por desespero, foi o Irã. Eles estão acabados! Vamos cumprir os 60 dias. Eles não recebem um centavo, nem um centavo”, escreveu Trump na plataforma Truth Social.

O presidente dos EUA, Donald Trump, durante a cúpula do G7, na França – Mandel Ngan – 17.jun.26/AFP

A publicação ocorreu num momento em que a eficácia do acordo é questionada, sobretudo após novos ataques de Israel contra alvos no Líbano e o adiamento de uma rodada de conversas que deveria ocorrer nesta sexta, na Suíça.

O memorando de entendimento, firmado no último domingo (14) e assinado na quarta (17), prevê a liberação de US$ 24 bilhões em bens bloqueados do Irã. O texto determina também um plano de reconstrução e investimento direcionado ao Irã no valor de US$ 300 bilhões.

Depois que o conteúdo veio a público, Trump e seu vice, J. D. Vance, disseram que o regime não receberá “nem um centavo” de dinheiro público americano, e que o valor mencionado será negociado junto às monarquias do golfo Pérsico —inimigas de Teerã. Na publicação desta sexta, o presidente americano não especifica se ele se referia apenas a recursos financeiros dos EUA ou a de outras nações também.

O post foi uma resposta ao líder supremo do Irã. Mais cedo, o aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou que o americano assinou o acordo “por desespero” e acrescentou que as futuras negociações sobre o programa nuclear não serão fáceis. Segundo ele, Teerã não aceitará exigências excessivas de Washington.

Ataques de Israel ao Líbano nos últimos dias

Além da compensação financeira, o memorando assinado pelos dois países estabelece um prazo de 60 dias para que negociadores cheguem a um entendimento sobre o programa nuclear iraniano e outras questões pendentes. O acordo também prevê a possibilidade de prorrogação do cessar-fogo temporário.

Segundo o Wall Street Journal, o governo dos EUA prepara um pedido de US$ 80 bilhões em recursos adicionais para cobrir os custos da guerra e financiar outras prioridades domésticas. A solicitação, que ainda deverá ser enviada ao Congresso, ocorre diante de dúvidas sobre o impacto financeiro do conflito e à pressão enfrentada por Trump antes das eleições de meio mandato, marcadas para novembro.

O secretário adjunto de Defesa, Stephen Feinberg, informou parlamentares sobre a necessidade dos recursos durante telefonemas feitos nesta semana, de acordo com o jornal. O pacote incluiria verbas para o Pentágono, mas também dinheiro destinado a áreas sem relação direta com a guerra, como programas de auxílio agrícola e assistência a vítimas de desastres naturais.

A agência de notícias Reuters não conseguiu verificar de forma independente a informação. Já a Casa Branca e o Departamento de Defesa não comentaram o assunto.

Veja uma síntese do acordo entre EUA e Irã

  1. EUA e Irã, junto a aliados, declaram fim imediato de todas as operações militares —inclusive no Líbano— e se comprometem a não iniciar novos conflitos nem ameaçar a soberania um do outro.
  2. As partes se comprometem a respeitar a soberania e não interferir nos assuntos internos um do outro.
  3. As partes têm até 60 dias (prorrogáveis) para chegar a um acordo final.
  4. EUA iniciam a remoção do bloqueio naval ao Irã, com encerramento total em 30 dias. Forças americanas se retirarão das proximidades do Irã em até 30 dias após o acordo final.
  5. Irã garantirá passagem segura e gratuita de embarcações comerciais em Hormuz por apenas 60 dias, com remoção de minas em até 30 dias. O futuro do estreito será negociado com Omã e outros países costeiros.
  6. EUA se comprometem a desenvolver, com parceiros, um plano de pelo menos US$ 300 bilhões para reconstrução e desenvolvimento do Irã.
  7. EUA revogarão sanções contra o Irã conforme cronograma a ser definido no acordo final.
  8. Irã reafirma que não desenvolverá armas nucleares. O material enriquecido armazenado será diluído sob supervisão da AIEA. Questões sobre enriquecimento serão discutidas no texto final.
  9. Até o acordo final, mantém-se o status quo: Irã não avança no programa nuclear e EUA não impõem novas sanções nem enviam forças.
  10. EUA concedem isenções para exportação de petróleo iraniano e serviços associados até o fim das sanções.
  11. EUA liberam integralmente fundos e ativos iranianos congelados.
  12. Será criado um mecanismo executivo para monitorar o cumprimento do memorando e do acordo final.
  13. Negociações do acordo final só terão início após o cumprimento dos itens 1, 4, 5, 10 e 11.
  14. Acordo final será endossado por uma resolução vinculativa do Conselho de Segurança da ONU.

Veículo: Folha Uol

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/06/trump-nega-desespero-por-acordo-e-diz-que-ira-nao-recebera-nem-um-centavo.shtml

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EUA seguem sem assumir responsabilidade após 100 dias de ataque a escola que matou 175 no Irã https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/17/eua-seguem-sem-assumir-responsabilidade-apos-100-dias-de-ataque-a-escola-que-matou-175-no-ira/ https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/17/eua-seguem-sem-assumir-responsabilidade-apos-100-dias-de-ataque-a-escola-que-matou-175-no-ira/#respond Wed, 17 Jun 2026 14:38:18 +0000 https://www.jaedestaque.com.br/blog/2026/06/17/eua-seguem-sem-assumir-responsabilidade-apos-100-dias-de-ataque-a-escola-que-matou-175-no-ira/ Helene Cooper

Washington | The New York Times

Poucos minutos após um ataque a uma escola cheia de crianças no primeiro dia da guerra contra o Irã, autoridades do Pentágono sabiam que as Forças Armadas dos Estados Unidos eram responsáveis pela destruição total do local. Mas achavam que haviam atingido uma base iraniana.

Poucos dias depois do ataque, após uma enxurrada de reportagens contendo imagens de satélite, vídeos e relatos em primeira pessoa do episódio, autoridades americanas reconheceram em particular o que vinha ficando cada vez mais evidente: que as Forças Armadas dos EUA haviam cometido um erro trágico e atingido uma escola.

E, duas semanas após o ataque, a primeira parte de uma investigação preliminar sobre o ocorrido foi concluída: autoridades militares concluíram que o ataque com mísseis Tomahawk de 28 de fevereiro contra a escola foi resultado de um erro de mira causado por dados desatualizados.

O bombardeio matou pelo menos 175 pessoas, a maioria delas crianças, segundo autoridades iranianas.

No entanto, mais de 100 dias após o ataque, autoridades americanas ainda não reconheceram publicamente a responsabilidade pelas mortes, entre os milhares de civis mortos na região antes que um cessar-fogo provisório fosse alcançado neste fim de semana.

A investigação já está concluída e aguarda a aprovação de líderes militares de alto escalão, do secretário de Defesa Pete Hegseth e da Casa Branca, segundo autoridades militares, que falaram sob condição de anonimato porque o relatório ainda não foi divulgado. Não está evidente quando ele será tornado público, nem se alguém perderá o emprego.

“O incidente ainda está sob investigação”, afirmou o Pentágono em comunicado na semana passada, quando questionado sobre o silêncio.

As razões para o atraso, segundo autoridades a par da investigação, incluem um processo burocrático de revisão tipicamente moroso, envolvendo várias agências governamentais, uma dose de autoproteção do Pentágono e a descrença, por parte das agências de inteligência e de seleção de alvos envolvidas, de que seus dados pudessem estar tão catastroficamente errados.

Isso se somou a uma liderança civil no Departamento de Defesa que encara tais tragédias como um custo inevitável da guerra, afirmaram as autoridades.

Hegseth tem defendido rotineiramente a “letalidade acima da legalidade” e que as tropas americanas não devem ser limitadas por preocupações com danos a civis. “Chega de regras estúpidas”, afirmou ele.

No ano passado, Hegseth começou a tomar medidas para efetivamente encerrar os escritórios do Pentágono que se dedicam à prevenção e resposta a danos a civis durante operações de combate dos EUA.

Funcionários do Escritório de Mitigação e Resposta a Danos a Civis do Pentágono, que lida com políticas relacionadas à limitação de riscos a não combatentes, foram informados de que seu escritório seria fechado. Também lhes foi comunicado que o Centro de Excelência em Proteção Civil, responsável por treinamentos e procedimentos, seria encerrado.

O inspetor-geral do Pentágono concluiu, em um relatório divulgado no mês passado, que as Forças Armadas dos EUA não dispunham mais do pessoal nem das ferramentas necessárias para cumprir sua política de vítimas e danos civis, exigida pela legislação federal.

Um analista percebe um problema

Por quase uma década, segundo autoridades americanas, seus dados indicavam que a escola primária Shajarah Tayyebeh, na cidade de Minab, era uma base militar. A escola fica próxima a edifícios utilizados pela Guarda Revolucionária do Irã, e o local fazia originalmente parte da base.

A investigação constatou, segundo as autoridades, que os responsáveis pela seleção de alvos estavam usando imagens que não eram atualizadas há sete anos. Essas imagens, afirmaram, não mostravam uma escola próxima à base.

Mas, há vários anos, um analista percebeu que o prédio parecia ser uma escola, disseram três autoridades. Esse analista informou outra pessoa, disseram as autoridades. Mas a informação não chegou aos responsáveis pela seleção de alvos, e oficiais de inteligência e militares continuaram a revalidar o local como um alvo legítimo para bombardeio.

Em 28 de fevereiro, as Forças Armadas dos EUA estavam realizando ataques com mísseis contra uma base iraniana adjacente e atingiram a escola. Era um sábado, o início da semana de trabalho no Irã, quando crianças e professores estavam em sala de aula.

“As pessoas precisam ser demitidas e ter suas credenciais revogadas por negligência”, disse Wes J. Bryant, ex-analista sênior de políticas e assessor em guerra de precisão e mitigação de danos a civis no Centro de Excelência em Proteção Civil. “Os comandantes de alto escalão precisam, potencialmente, ser responsabilizados por violação do UCMJ, pois isso foi uma negligência inacreditável”, acrescentou ele, referindo-se ao Código Uniforme de Justiça Militar (UCMJ), o marco legal das Forças Armadas dos EUA, que estabelece penalidades para a morte de civis. “Não há desculpa de ‘névoa da guerra’ aqui”, disse Bryant.

O ataque foi o pior incidente com vítimas civis causado pelas Forças Armadas dos EUA desde 1991, quando uma aeronave stealth americana bombardeou um abrigo antiaéreo civil em Bagdá, matando mais de 400 pessoas, principalmente mulheres, crianças e idosos iraquianos.

Um ataque “double tap”

Dezenas de estudantes foram mortos no primeiro ataque à escola em Minab. Outras dezenas foram mortas após um segundo ataque, chamado de “double tap” pelos militares.

O presidente Donald Trump inicialmente atribuiu a responsabilidade pelo ataque ao Irã, embora o país não possua mísseis Tomahawk. “Na minha opinião, com base no que vi, isso foi feito pelo Irã”, disse Trump dias após o ataque. “Eles são muito imprecisos, como vocês sabem, com suas munições. Não têm precisão alguma. Foi feito pelo Irã.”

Imagens analisadas pelo The New York Times mostraram que vários ataques de precisão atingiram pelo menos seis edifícios da Guarda Revolucionária, além da escola. Quatro edifícios na base foram destruídos, e outros dois apresentavam pontos de impacto no centro de seus telhados, consistentes com tais ataques de precisão.

Mas a rede de inteligência das Forças Armadas dos EUA deveria ser capaz de diferenciar entre uma escola e uma base militar, mesmo que estejam lado a lado, afirmam os críticos.

Alguns questionaram por que o governo Trump não reconheceu, pelo menos, a responsabilidade e não pediu desculpas às famílias que perderam entes queridos, mesmo explicando que uma investigação completa está em andamento.

“Você pode, neste momento, reconhecer que esse erro foi cometido, que fomos responsáveis por ele e que é algo que não queríamos fazer e não queremos repetir?”, perguntou o deputado Adam Smith, democrata de Washington, ao almirante Brad Cooper, chefe do Comando Central, durante uma audiência no Congresso no mês passado. “Os Estados Unidos não atacam deliberadamente civis”, respondeu Cooper.

Veículo: Folha Uol

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2026/06/eua-seguem-sem-assumir-responsabilidade-apos-100-dias-de-ataque-a-escola-que-matou-175-no-ira.shtml

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