Washington, Islambad e Paris | Reuters
Os Estados Unidos e o Irã estão próximos de fechar um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio, segundo um funcionário de alto escalão do Paquistão, que atua como mediador nas negociações.
O funcionário confirmou à agência Reuters informações publicadas pelo site Axios de que Washington e Teerã discutem um memorando de uma página para pôr fim ao conflito e às disputas no estreito de Hormuz. Segundo ele, as negociações serão concluídas “muito em breve”.
Em um post na manhã desta quarta, o presidente Donald Trump afirmou que a guerra pode terminar se Teerã aceitar os termos apresentados. “Se eles não concordarem, os bombardeios começarão, e serão, infelizmente, em um nível e intensidade muito maiores do que antes”, acrescentou.
Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou que o país persa está analisando a proposta e que comunicará sua posição ao mediador, o Paquistão, segundo a agência estatal Isna. Já a Guarda Revolucionária afirmou que a passagem segura por Hormuz será garantida com o fim das ameaças dos EUA, na primeira reação à pausa das operações americanas.
O comunicado não especificou quais serão os novos procedimentos e agradeceu aos proprietários e capitães de navios por respeitarem as regulamentações iranianas ao transitarem pela via marítima.
O Paquistão sediou, no mês passado, as únicas negociações de paz realizadas até agora e continua intermediando propostas entre os dois lados. A perspectiva de acordo derrubou os preços globais do petróleo.
A Casa Branca, o Departamento de Estado dos Estados Unidos e autoridades iranianas procuradas pela Reuters não comentaram. A emissora americana CNBC afirmou que Teerã estava avaliando uma proposta americana de 14 pontos.
Segundo o Axios, a Casa Branca avalia estar perto de um acordo e espera respostas do Irã sobre pontos-chave nas próximas 48 horas. A reportagem foi publicada horas depois de Donald Trump suspender a operação para reabrir o estreito de Hormuz, apelidada de “Projeto Liberdade”.
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Entre os termos em discussão para terminar a guerra, o Irã aceitaria uma moratória no enriquecimento nuclear. Em troca, os EUA suspenderiam sanções e liberariam bilhões de dólares em ativos iranianos congelados. Também haveria retirada de restrições ao tráfego em Hormuz —via marítima essencial para o mercado global e que voltou a ser palco de confrontos entre os dois países nos últimos dias.
O memorando de uma página, com 14 pontos, está sendo negociado pelos enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner com representantes iranianos, tanto diretamente quanto por meio de mediadores, segundo o Axios.
Na versão atual, o texto declara o fim da guerra na região e abre um período de 30 dias para negociações de um acordo mais detalhado, que incluiria a reabertura do estreito, limites ao programa nuclear iraniano e a suspensão de sanções americanas.
Durante esse período, as restrições impostas pelo Irã ao tráfego marítimo e o bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos seriam gradualmente reduzidos. Segundo uma autoridade americana ouvida pelo Axios, caso as negociações fracassem, Washington poderia restabelecer o bloqueio ou retomar ações militares.
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Mais cedo na terça, Trump anunciou a pausa no “Project Freedom”. A operação não conseguiu retomar de forma significativa o tráfego na via marítima e provocou uma nova onda de ataques iranianos contra embarcações no estreito e alvos em países vizinhos.
No episódio mais recente, a empresa francesa de transporte marítimo CMA CGM informou nesta quarta que um de seus navios porta-contêineres foi atingido no estreito, com tripulantes feridos. Eles foram retirados da embarcação.
A porta-voz do governo da França, Maud Bregeon, afirmou que o país não era alvo específico. A embarcação atingida, de bandeira maltesa, não navegava sob bandeira francesa e era tripulada por uma equipe filipina, disse.
A operação naval dos EUA havia sido lançada após Trump indicar que poderia rejeitar a proposta mais recente do Irã —que também tinha 14 pontos e sugeria adiar o debate sobre o programa nuclear até o fim da guerra e a normalização do tráfego marítimo.
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Em visita à China, o chanceler iraniano Abbas Araghchi não comentou diretamente as declarações de Trump, mas afirmou que Teerã busca “um acordo justo e abrangente”. O estreito de Hormuz está praticamente fechado desde o fim de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra. Em abril, Washington também impôs um bloqueio separado a portos iranianos.
Desde então, a tentativa americana de garantir a navegação não convenceu navios comerciais de que a rota é segura e acabou provocando novos ataques. O Irã afirma ter ampliado sua área de controle, incluindo trechos da costa dos Emirados Árabes Unidos.
Durante a missão, drones e mísseis iranianos atingiram diversos navios na região, incluindo um cargueiro sul-coreano, que relatou uma explosão na casa de máquinas. Teerã também atacou alvos nos Emirados, inclusive o principal porto petrolífero do país fora do estreito, que vinha permitindo exportações sem a travessia da área de conflito.
Veículo: Folha Uol











