Istambul | AFP
A polícia da Turquia prendeu nesta sexta-feira (1º) pelo menos 370 manifestantes reunidos por ocasião do 1º de Maio, Dia do Trabalho, em Istambul, segundo uma associação local.
Dois grupos em particular foram alvo das forças de segurança em dois bairros distintos, enquanto indicavam a intenção de ir à praça Taksim, local emblemático dos protestos na Turquia.
Polícia e membros do Partido dos Trabalhadores da Turquia (TIP) entram em confronto durante protesto do 1º de Maio, na praça Taksim, em Istambul – Kemal Aslan/Reuters
A associação de advogados CHD afirmou que pelo menos 370 pessoas foram detidas e que as manifestações foram reprimidas por um forte contingente policial. “Às 14h [horário local], segundo nossas informações, o número de pessoas detidas chegava a 370”, publicou no X a organização.
Além das barreiras metálicas instaladas para cercar um amplo perímetro em torno dos bairros centrais da capital econômica, foi mobilizado um importante contingente policial.
No bairro de Mecidiyeköy, onde se reuniram militantes do Partido da Libertação dos Povos (HKP, marxista), decididos a marchar até Taksim ao grito de “EUA assassino, AKP [partido no poder] cúmplice”, os policiais fizeram uso de gás lacrimogêneo, constatou a agência de notícias AFP.
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No bairro de Besiktas, perto do Bósforo, completamente cercado pelas forças policiais, estas intervieram assim que surgiram palavras de ordem entre a multidão, por vezes de forma violenta, segundo jornalistas da AFP, que viram manifestantes sendo atirados ao chão.
Sindicatos e associações haviam convocado concentrações sob o lema “Pão, Paz, Liberdade”.
Desde o início da semana, as autoridades turcas haviam efetuado várias dezenas de detenções antes do 1º de Maio, especialmente nos meios de comunicação e nos movimentos de oposição ao presidente autoritário Recep Tayyip Erdogan.
O presidente é acusado por críticos e opositores de erodir a independência do Judiciário, corroer a liberdade da imprensa e enfraquecer o respeito aos direitos humanos no país.
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Em 2017, o líder turco alterou a Constituição para mudar o sistema de governo de parlamentar para presidencial. Segundo analistas, a medida abriu a prerrogativa para que Erdogan emitisse decretos, regulasse ministérios e removesse funcionários públicos sem precisar da aprovação do Parlamento.
Nas eleições de 2019, determinou a recontagem de votos após o candidato do partido governista perder a disputa municipal de Istambul. Ainda que o resultado tenha sido mantido, o episódio, segundo analistas, minou a credibilidade do sistema eleitoral turco.
Considerado polarizador, Erdogan continua apoiado por parcela significativa da população turca, sobretudo a ala muçulmana mais conservadora.
Veículo: Folha Uol












